sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Compra de Neymar derruba presidente do Barcelona

Sandro Rosell renunciou nesta quinta à tarde, depois de acusações de pagamento de comissões secretas à família do jogador para que escolhesse o Barça
 
Sandro Rosell, presidente do Barcelona, com Neymar, na apresentação do jogador ao clube, em 2013
"A confidencialidade é essencial no mundo do futebol, caso contrário pode prejudicar o clube. Não quero que ataques injustos contra mim prejudiquem a imagem do Barcelona" 
 
Na tarde desta quinta-feira, Sandro Rosell confirmou o que os jornais espanhóis noticiavam: ele pediu para sair da presidência do Barcelona, após uma reunião extraordinária com sócios e dirigentes do clube. Quem assume o cargo até o fim do mandato, em junho de 2016, é o vice-presidente Josep Maria Bartolomeu. O Barcelona e o próprio Rosell estão sendo investigados pela justiça espanhola pelos valores envolvendo a compra do atacante Neymar. Segundo o jornal espanhol El Mundo, o clube pagou comissões secretas à família do jogador para que ele optasse pelo clube ao deixar o Santos. Por conta das denuncias e investigações, na manhã desta quinta, o ex-presidente já tinha comunicado aos mais próximos que estava deixando o clube.

Josep Lago/AFP
A justiça espanhola havia confirmado que vê evidência de um crime na contratação de Neymar pelo Barcelona e solicitou que o próprio jogador, a Fifa, o Santos e o Barcelona apresentem as documentações sobre a negociação. Rosell garante que a operação para o Barcelona se reforçar com Neymar teve um custo de 57 milhões de euros (aproximadamente 184 milhões de reais). Mas segundo uma denúncia apresentada por um sócio do clube, o preço real seria de 95 milhões de euros (307 milhões de reais), em razão de comissões pagas para as partes envolvidas na transação. O juiz Pablo Ruz considerou que Rosell pode ter cometido um crime de apropriação indébita.

Anúncio - Na sala de entrevistas do Barcelona, Rosell apareceu ao lado de Bartolomeu e fez um pronunciamento rápido. Depois de enumerar suas conquistas à frente do Barcelona - ele foi eleito em 2010 -,  afirmou, em discurso lido todo em catalão, que renunciava para preservar o clube. "Esta época de êxito teve também momentos sofridos. Ser presidente significa colocar em risco a minha própria família. Nos últimos tempos, abriram um processo contra mim por apropriação indevida e acusam que a contratação de Neymar foi irregular. Tenho de ser compatível com a defesa do clube. A confidencialidade é essencial no mundo do futebol, caso contrário pode prejudicar o clube. A junta diretiva é quem lidera o clube. Não quero que ataques injustos contra mim prejudiquem a imagem do clube."

Em seguida, anunciou o substituto. "Acabo de apresentar minha demissão à junta diretiva. De acordo com os estatutos, José Maria Bartolomeu, vice-presidente, assume a presidência imediatamente e fica até 2016, quando serão convocadas novas eleições. Foi uma honra, um privilégio ter sido presidente do Barcelona. Desejo o melhor ao novo presidente."

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