
Com o objetivo de impedir, principalmente, os arremessos de drogas,
armas e aparelhos celulares, o pátio do Presídio Estadual de Bento
Gonçalves, no centro da cidade, receberá uma cobertura de tela. O custo
da instalação da nova cerca de proteção será de R$ 38,5 mil, com
recursos doados pelo Conselho Pró-Segurança Comunitária (Consepro). A
colocação do material deve começar dentro de 30 dias. A medida foi uma
proposta da direção da casa prisional e do Poder Judiciário.
A
ação é mais uma intervenção paliativa enquanto não se definem as
tratativas para a construção do novo presídio. O Ministério Público
Estadual (MPE) segue apurando a responsabilidade do governo do Estado
pelo desperdício de recursos federais destinados ao sistema carcerário
do município. Em cinco anos, segundo a Superintendência de Serviços
Penitenciários do Rio Grande do Sul (Susepe), foram devolvidos R$
20.656.798 ao governo federal, devido à inércia do estado nas
construções ou reformas de penitenciárias. Destes, pelo menos R$ 8
milhões seriam utilizados para erguer uma nova penitenciária em um
terreno na linha Palmeiro, no Barracão, e foram perdidos em 2012. Um
levantamento do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), ligado ao
Ministério da Justiça, aponta que, nos últimos dez anos, 15 estados e o
Distrito Federal deixaram de usar R$ 187 milhões liberados pela União
para construir e reformar presídios.
Segundo o presidente do
Consepro, Geraldo Leite, o pedido do material foi enviado à fábrica no
último dia 3. “A empresa pediu entre 30 e 40 dias para confeccionar o
material, acredito que a instalação comece na segunda metade do mês de
março e deva estar pronta até abril”, conta. O presidente disse ainda
que, dentro dos três orçamentos pedidos, a escolhida foi uma empresa de
Bento Gonçalves. “Quero lembrar, e desde já agradecer, a fundamental
participação da Câmara de Vereadores e da prefeitura de Bento Gonçalves
neste projeto. Acreditamos que esta iniciativa elimine a possiblidade de
objetos entrarem de forma irregular no presídio”, ressalta.
Serão
instaladas cercas de tela galvanizada com arame de 1,24mm de espessura.
A área total do pátio é de 756m². Segundo o diretor do Presídio
Estadual de Bento Gonçalves, Volnei Zago, a medida deve acabar com o
arremesso de objetos para dentro da instituição. “Essas ocorrências
estavam sendo registradas diariamente nos quatro anos em que trabalho
aqui no presídio, mas tiveram um crescimento preocupante a partir de
novembro do ano passado”, afirma.
Na maioria dos casos
registrados (veja quadro), são arremessados celulares e drogas. Para o
diretor, a intenção é evitar que situação se agrave, o que poderia
resultar até na entrada de armas no presídio. “Foram registrados casos
de arremessos durante a noite e nossa preocupação é que acabe entrando
algum tipo de arma na instituição. Isso colocaria em risco a integridade
física dos apenados, por isso, acredito que a grande maioria deles não
ficará descontente, e não devemos ter alteração no comportamento interno
dos presos com o cercamento do pátio”, conclui Zago.
Fonte: Jornal SerraNossa - Reportagem: Jonathan Zanotto