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domingo, 27 de abril de 2014

Tragédia da boate Kiss completa 15 meses

Neste domingo, a tragédia na Boate Kiss, que matou 242 pessoas, completa 15 meses. Familiares e amigos das vítimas participam de atos ecumênicos na Basilica da Medianeira, a partir das 19h, e na Igreja Nossa Senhora das Dores, no mesmo horário. Também, ocorre uma missa na Paroquia São Geraldo na cidade de Ijui.
Movimento “Luto à Luta” promove uma campanha de arrecadação de agasalhos. (Foto: Divulgação)  
A iniciativa é do Núcleo Missões. No centro da cidade de Santa Maria, o Movimento “Luto à Luta” promove uma campanha de arrecadação de agasalhos que tem como local a tenda localizada na calçada da antiga boate. Os donativos arrecadados serão distribuídos em entidades beneficentes.
 
Depoimentos

Depois do depoimento de Amanda Ruas Freitas, uma das sobreviventes da tragédia da Boate Kiss, na última sexta-feira, em Bagé, ainda falta ouvir o depoimento de outros três sobreviventes do incêndio. Eles serão ouvidos em audiência fora do Rio Grande do Sul.
 
As testemunhas residem, atualmente, nas cidades de Teresina no Piaui; Tubarão, 
em Santa Catarina e em Colombo, no Paraná. O titular do processo criminal é o juiz Ulysses Fonseca Louzada, que entra em mais uma etapa da ação: ouvirá as testemunhas de acusação e defesa.
 
A tragédia

O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro de 2013. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.
 
Segundo testemunhas, o incêndio teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.
 
Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. 

A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.
 
* Correio do Povo

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Projeto da Lei Kiss é aprovado na Câmara dos Deputados

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (10)  com alterações, o Projeto de Lei 2020/07, da deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA), que estabelece novas regras de segurança e funcionamento para casas noturnas e estabelecimentos similares no País.

O texto aprovado traz alterações propostas, em julho do ano passado, pela comissão externa criada para acompanhar as investigações do incêndio ocorrido em janeiro de 2013, na boate Kiss, em Santa Maria.
Ele prevê que as legislação devem ser observadas por estabelecimentos com capacidade igual ou superior a 100 pessoas, ou em alguns casos específicos. Para se obter um alvará, será necessário, antes, ter o plano de prevenção de incêndio aprovado pelo Corpo de Bombeiros.
 
A lei também responsabiliza bombeiros, gestores e empresários pelo descumprimento das normas. A concessão do alvará é de responsabilidade do prefeito, que caso libere um estabelecimento sem plano de incêndio, poderá ser enquadrado no crime de improbidade administrativa.
 
Já a obrigatoriedade de seguros em casas noturnas foi retirada do texto. O projeto da Lei Kiss segue para o Senado. A bancada gaúcha tenta costurar um acordo para que ele não sofra alterações e seja votado nas próximas semanas.
Fonte: Câmara dos Deputados e informações do Jornal Diário Gaúcho

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Estado recebe 11 novos profissionais do Mais Médicos

A Secretaria Estadual da Saúde (SES) recebe na próxima segunda-feira (3) novos profissionais que atuarão pelo programa dos Mais Médicos no Rio Grande do Sul. São 11 novos médicos brasileiros que passarão a trabalhar na atenção básica de 7 municípios gaúchos. O evento ocorre a partir das 9h30, no Centro Administrativo Fernando Ferrari (Caff), no auditório do 20º andar.

Os municípios beneficiados são Bagé, Porto Alegre, Santa Maria, Santana do Livramento e São Borja, todos com um profissional cada, Igrejinha com dois médicos e Pelotas com quatro. Eles se juntam aos 400 médicos hoje distribuídos em 113 cidades do Estado. O RS deve receber outros 80 profissionais intercambistas (diplomados fora do país), em distribuição ainda a ser definida de municípios.

O ato de acolhimento de segunda-feira contará com a presença da secretária da Saúde, Sandra Fagundes. Na sequência os profissionais serão apresentados às políticas estaduais da atenção básica, Rede Cegonha, DST/Aids, Saúde Mental e equidades.

Médicos cubanos

O programa terá ainda o reforço de mais médicos cubanos provenientes da cooperação com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), ainda sem a confirmação do quantitativo por estado. Os 2 mil médicos cubanos desembarcam no Brasil nesta semana em Brasília, Fortaleza e São Paulo, onde vão cursar o módulo de acolhimento e avaliação do programa.

A previsão é que esses profissionais comecem a atuar nos municípios em março. A aprovação no módulo é obrigatória para receber o registro que autoriza a atuação no Brasil durante o programa. O Mais Médicos faz parte de um amplo pacto de melhoria do atendimento aos usuários do SUS, com o objetivo de aperfeiçoar a formação de médicos na Atenção Básica, ampliar o número de médicos nas regiões carentes do país e acelerar os investimentos em infraestrutura nos hospitais e unidades de saúde.

Os profissionais do programa recebem bolsa formação de R$ 10 mil por mês e ajuda de custo pagos pelo Ministério da Saúde. Os municípios ficam responsáveis por garantir alimentação e moradia aos selecionados. Conforme previsto em lei, os médicos são selecionados para atuar no programa durante três anos.

Neste período, os profissionais formados no exterior terão registro profissional emitido pelo Ministério da Saúde, que lhes dará o direito de atuar exclusivamente na Atenção Básica das cidades a que forem designados, com acompanhamento de tutores e supervisores. Além disso, todos os profissionais fazem especialização em Atenção Básica, oferecida pela Universidade Aberta do SUS (Una-SUS) na modalidade de educação à distância.
Fonte: Palácio Piratini

sábado, 25 de janeiro de 2014

ONU cobra 'conscientização de riscos' em congresso de 1 ano da Kiss

Coordenador do Escritório das Nações Unidas redigiu texto sobre tragédia.
Leitura de carta foi antecedida por momento de choro e emoção.

Congresso começou neste sábado em Santa Maria (Foto: Estêvão Pires/G1) Redigida pelo coordenador do Escritório das Nações Unidas para Redução de Risco e Desastres, David Stevens, uma carta aberta aos familiares das vítimas e sobreviventes incêndio da boate Kiss pede que esforços de reconstrução no país leve em conta "alternativas menos vulneráveis". O texto ainda lembra que 144 municípios brasileiros já aderiram à campanha global "Construindo Cidades Resilientes", nas quais as administrações locais se comprometeram a trabalhar para que tragédias não se repitam.

"A tragédia ocorrida em Santa Maria deixou como legado a tristeza inescapável dos familiares e amigos das centenas de vítimas, e imagens que comoveram o mundo. A tragédia contribuiu também para uma reflexão nacional e tem inspirado ações de prevenção e resiliência, para que tal tragédia não se repita jamais, nem no Brasil nem em qualquer outro país do mundo", diz a carta da ONU.

"Esforços de reconstrução devem levar em conta estas experiências passadas para criar alternativas menos vulneráveis, mas preparadas, não só em termos de reconstrução dos espaços públicos, mas também no sentido de promover o conhecimento e a conscientização dos riscos em toda a sociedade", segue a carta.

Segundo as Nações Unidas, a campanha quer buscar transparência e tornar público todos os esforços na redução do risco de desastres para a sociedade monitorar avanços e "cobrar compromissos". O documento ainda ressalta que "ações simples de prevenção podem reduzir significativamente o risco e a gravidade de acidentes".

A carta foi divulgada durante o 1° Congresso Internacional Novos Caminhos - A Vida em Transformação, iniciado na manhã deste sábado (25), em Santa Maria. Feita pelo advogado Luis Fernando Smaniotto, um voluntário da Associação, a leitura foi antecedida por um momento de comoção no auditório do Centro Universitário Franciscano (Unifra). Durante o discurso da solenidade de abertura, o presidente da AVTSM, Adherbal Ferreira, chorou por pelo menos 20 minutos.

Adherba Ferreira, pai de vítima, não conteve a emoção (Foto: Estêvão Pires/G1)
"Esse laço lindo que tínhamos foi cortado. Você olha as fotos, lembra das viagens que fazia, dos primeiros passos da primeira fala, do quanto você dormiu. Meu Deus, que saudade. Amor incondicional. Nós pais lutamos pelo nosso conforto familiar. Agora, nós precisamos de muita fé para andar e viver. É uma dor atravessada no peito", disse ele, que é pai de uma das vítimas.
"Nosso domingo, principalmente, não presta mais. É difícil suportar um domingo. Todos nós temos essa dor. É a dor na alma da saudade. Precisamos viver para achar uma maneira nova, por isso o congresso 'novos caminhos'. Superação não. Vamos modificar ou transformar a vida. Pois lutamos pela verdadeira Justiça pra que nenhuma família volte a sofrer o que passamos. Precisamos ter muita fé e nos colocarmos no lugar do outro. Abraça teu irmão", seguiu Adherbal.

A comoção de Adherbal se estendeu a outros parentes de vítimas presentes no auditório, que até então estavam com semblante tranquilo, e demostravam mais preocupação em cobrar justiça. Alguns deixaram o local aos prantos logo após o discurso, e tiveram que ser amparados por voluntários da organização. Enquanto autoridades ocupavam uma tribuna montada para o congresso, um telão mostrava fotos dos 242 jovens vítimas da tragédia que vai completar um ano nesta segunda-feira (27).

Entenda

O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul, ocorreu na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013. A tragédia matou 242 pessoas, sendo a maioria por asfixia, e deixou mais de 630 feridos.

O fogo teve início durante uma apresentação da banda Gurizada Fandangueira e se espalhou rapidamente pela casa noturna, localizada na Rua dos Andradas, 1.925.

O local tinha capacidade para 691 pessoas, mas a suspeita é que mais de 800 estivessem no interior do estabelecimento. Os principais fatores que contribuíram para a tragédia, segundo a polícia, são: o material empregado para isolamento acústico (espuma irregular), uso de sinalizador em ambiente fechado, saída única, indício de superlotação, falhas no extintor e exaustão de ar inadequada.

Ainda estão em andamento dois processos criminais contra oito réus, sendo quatro por homicídio doloso (quando há intenção de matar) e tentativa de homicídio, e os outros quatro por falso testemunho e fraude processual. Os trabalhos estão sendo conduzidos pelo juiz Ulysses Fonseca Louzada. Sete bombeiros também estão respondendo pelo incêndio na Justiça Militar. O número inicial era oito, mas um deles fez acordo e deixou de ser réu.

Entre as pessoas que respondem por homicídio doloso (com intenção), na modalidade de "dolo eventual", estão os sócios da boate Kiss, Elissandro Spohr (Kiko) e Mauro Hoffmann, além de dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos e o funcionário Luciano Bonilha Leão. Os quatro chegaram a ser presos nos dias seguintes ao incêndio, mas a Justiça concedeu liberdade provisória aos quatro em maio do ano passado. Entre os bombeiros investigados, está Moisés da Silva Fuchs, que exerceu a função de comandante do 4° Comando Regional de Bombeiros (CRB) de Santa Maria.

Atualmente, a Justiça está em fase de recolher depoimentos dos sobreviventes da tragédia. O próximo passo será ouvir testemunhas. Os réus serão os últimos a falar sobre o incêndio ao juiz. Quando essa fase for finalizada, Louzada deverá fazer a pronúncia, que é considerada uma etapa intermediária do processo.
Se o magistrado "pronunciar" o réu, ele vai a júri (a pronúncia é a ordem para ir a júri). Outra possibilidade é a chamada desclassificação, quando o juiz não manda o réu para júri, mas reconhece que houve algum tipo de crime. Nesse caso, a causa será julgada sem júri. Também existe a chance de absolvição sumária dos réus. Em todas as hipóteses, cabe recurso.

No âmbito das investigações, três delas estão sendo conduzidas pela Polícia Civil. Além dos documentos sobre as licenças concedidas à boate Kiss, um inquérito apura as atividades da empresa Hidramix, responsável pela instalação de barras antipânico na boate, e outro analisa uma suposta fraude no documento de estudo de impacto na vizinhança do prédio onde ficava a casa noturna. O Ministério Público, por sua vez, investiga as responsabilidades de servidores municipais na tragédia.

Um ano depois, odor e peregrinação alteram rotina de vizinhos da Kiss

Um pequeno trecho dos 2,7 km de extensão da Rua dos Andradas, em Santa Maria, foi o cenário da maior tragédia da história do Rio Grande do Sul. Entre a Rua André Marques e a Avenida Rio Branco, o incêndio na boate Kiss causou, além de 242 mortes, debandada de moradores e estabelecimentos.
 

Pedestre passa por área isolada por cones em frente ao prédio onde funcionava a boate Kiss na Rua dos Andradas, em Santa Maria (Foto: Felipe Truda/G1) Entre os que ficaram, há quem ainda sinta em dias de chuva, um odor desagradável vindo do prédio onde funcionava a casa noturna. É um odor forte", conta a aposentada Nelsi Boessio Pigatto, de 68 anos, moradora do prédio à esquerda da antiga boate, no Centro da cidade. "Não vou te dizer que é de podridão, mas não é uma coisa normal. Caiu o fio da calçada, quando chove a água escoa toda por ali. (O cheiro) deve ser dali, deve estar contaminado", acrescenta.
 
Da esquina com a Rio Branco é possível ver os dois letreiros da Kiss na fachada, quase toda de madeira, à exceção de uma grande placa de metal lilás sobre a marquise da porta por onde centenas de jovens lutaram para fugir do fogo e da fumaça na madrugada de 27 de janeiro de 2013.

Após a tragédia, porta e as janelas que foram cobertas por tapumes de madeira foram ornamentados com cartazes, fotos e até peças de roupas que pertenciam a vítimas. Mesmo quase um ano depois do incêndio, flores e imagens religiosas ocupam parte do pequeno trecho descoberto da calçada, obrigando os pedestres circularem por um caminho improvisado por cones de sinalização.

A ordem de manter a construção intacta é da Justiça. Ainda neste ano serão realizadas a limpeza e a retirada dos escombros. Alguns materiais ainda serão recolhidos para perícia. O juiz que cuida do processo ainda pode pedir uma reconstituição no local. Mas a quantidade de materiais tóxicos ainda é um entrave. Uma das opções estudadas é a de usar um software para realizar uma reconstituição virtual.

Apesar de não haver muitos moradores por ser uma área mais comercial, o trecho da Andradas onde ficava a Kiss tem tráfego intenso de veículos nos horários de pico, por dar acesso à Rio Branco, uma das principais vias da cidade. Da janela de frente do prédio, a aposentada conta já ter visto colisões entre veículos porque os motoristas reduzem a velocidade para observar a fachada da casa noturna. "De vez em quando dá batida", diz.

Muitos jovens habitavam o prédio vizinho à boate, e na maioria dos casos moravam de aluguel. Grande parte deixou os apartamentos após a tragédia. "Os que moravam aqui se mudaram na outra semana. Saíram dois ou três, que moravam bem do meu lado, mais um casal e alguns estudantes", contou.

A Kiss ficava entre o prédio onde Nelsi mora e outra construção, que está abandonada. Do outro lado da rua, um supermercado cujo acesso se dá por outra rua e o estacionamento do local, onde corpos de vítimas foram perfilados na madrugada de 27 de janeiro, ocupam quase toda a extensão da quadra. Há ainda um estacionamento, um clube e algumas casas.

A tragédia marcou as vidas dos moradores. Poucos aceitam falar sobre o assunto. O designer gráfico Carlo Pozzbon de Moraes, de 26 anos, conta que trabalhava em casa durante a madrugada quando ouviu o tumulto frente à boate da boate por volta das 3h. Acordou o irmão, o publicitário Lucio Pozzobon de Moraes, de 22 anos, que dormia após chegar de uma festa, e os dois foram para a frente de casa auxiliar alguns sobreviventes. "No que descemos, veio um pessoal nos pedir água. Perguntamos o que houve e um rapaz explicou que acenderam o sinalizador ali dentro e pegou fogo e que muita gente não conseguia sair. Minha mãe sempre guarda garrafas de água para fazer gelo. Descemos com várias garrafas para dar ao pessoal", lembra.

Moradores e comerciantes da quadra evitam falar sobre a tragédia. Estabelecimentos deixaram o trecho da Rua dos Andradas em Santa Maria.

Pedestre passa por área isolada por cones em frente ao prédio onde funcionava a boate Kiss na Rua dos Andradas, em Santa Maria

Pedestre passa por área isolada por cones em frente ao prédio onde funcionava a boate Kiss na Rua dos Andradas, em Santa Maria 

Um pequeno trecho dos 2,7 km de extensão da Rua dos Andradas, em Santa Maria, foi o cenário da maior tragédia da história do Rio Grande do Sul. Entre a Rua André Marques e a Avenida Rio Branco, o incêndio na boate Kiss causou, além de 242 mortes, debandada de moradores e estabelecimentos. Entre os que ficaram, há quem ainda sinta em dias de chuva, um odor desagradável vindo do prédio onde funcionava a casa noturna.

Desta segunda (20) até sexta-feira (24), o G1 conta como vivem sobreviventes e familiares de vítimas e o que mudou na lei, nos hábitos e na vida das pessoas um ano depois do incêndio na Kiss.

A família continuou envolvida com a tragédia. Professora de língua portuguesa, a mãe de Lucio e Carlo, Marta Pozzobon de Moraes, perdeu ex-alunos. O pai, o engenheiro civil Glenio Braga de Moraes, contabiliza que entre as vítimas havia cerca de 20 conhecidos, entre elas dois familiares. "Ou eram ex-alunos de Marta, ex-colegas dos guris, ou conhecidos nossos. Da família, perdemos dois, o filho de um primo do pai de Marta e também o filho de uma prima por parte de minha mãe", diz Glenio.

Por pouco, não perderam um sobrinho que frequentava a casa noturna. “Se marcassem uma missa na Kiss ele iria. Mas ele havia ido a uma festa na noite anterior e bebeu demais, então a mãe não o deixou sair naquela noite", conta o engenheiro.

Desde então, a família relata que excursões de ônibus de outras cidades vêm a Santa Maria e visitam o prédio. Alguns pais ainda vão ao local. Glenio conta que todo o domingo um pai de uma vítima aparece em frente à construção, aparentemente embriagado, e grita pela morte do filho. "A mesma dor que eles sentiram, nós, como pais, e os guris, como amigos, também sentimos. É só se colocar no lugar dos outros. E acima de tudo temos de ter fé, não tem outra saída agora", lamenta Marta.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

STJ nega pedido contra sócio da Boate Kiss

O Superior Tribunal de Justiça negou pedido liminar em habeas corpus a Elissandro Callegaro Spohr, sócio da Boate Kiss. A defesa pedia a suspensão do processo criminal movido contra ele.  Spohr, que chegou a ser preso preventivamente, foi denunciado como participante dos fatos que levaram ao incêndio na casa noturna, em Santa Maria no Rio Grande do Sul, em 27 de janeiro último.
 
A tragédia, matou 242 pessoas e feriu outras 116, começou depois que um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira que se apresentava na boate em uma festa para universitários, acendeu um sinalizador. A defesa recorreu ao STJ, contra entendimento da justiça gaúcha, alegando que a decisão de desmembramento do inquérito policial não caberia ao delegado nem ao juiz de primeiro grau, mas apenas ao juízo competente – no caso, o próprio tribunal estadual.
 
Segundo a decisão do STJ que negou a liminar, não se verifica, no caso, constrangimento ilegal ou abuso de poder a cercear a liberdade de locomoção de Spohr. Além disso, o pedido do habeas corpus exige um exame mais aprofundado das circunstâncias que levaram ao desmembramento do inquérito, o que ainda vai ser decidido pela Sexta Turma do STJ. 

sábado, 27 de julho de 2013

Manifestação lembra seis meses de tragédia da Kiss

Este sábado é marcado pelos seis meses da maior tragédia do Estado (Foto: Divulgação)Familiares e amigos das vitimas da tragédia da boate Kiss, ocorrida em 27 de janeiro, retornam neste sábado às ruas de Santa Maria para lembrar os seis meses do incêndio que matou 242 pessoas. O sinistro é considerado a segunda maior tragédia no Brasil em número de vítimas em um incêndio, sendo superado apenas pela tragédia do Gran Circus Norte Americano, ocorrida em 1961, que vitimou 503 pessoas.
 
As características da tragédia de Santa Maria foram comparadas às do incêndio ocorrido na Argentina, em 2004, na discoteca República Cromañón, que tirou a vida de jovens que na sua maioria eram universitários.

Papa diz que, na cruz, Jesus se une a jovens que perderam a confiança em suas instituições políticas

Em um discurso que misturou o português e o espanhol e se seguiu à Via Sacra, na Praia de Copacabana, o papa Francisco disse que, na cruz, Jesus se une às mais diversas vítimas de violência, intolerância e desigualdade. "Jesus se une a quem é perseguido por sua religião, por suas ideias ou simplesmente por sua cor da pele. Jesus se une aos jovens que perderam a confiança em suas instituições políticas por causa da corrupção e do egoísmo". 

O papa lembrou ainda de diversos problemas que afligem a juventude e, como o arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, fez na missa de abertura da Jornada Mundial da Juventude, na terça-feira (17), mencionou as vítimas do incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul.
 
"Jesus se une ao sofrimento das vítimas da violência que já não podem gritar, sobretudo aos indefesos. Jesus se une às famílias que se encontram em dificuldade pela perda trágica de seus filhos. Jesus encontra os jovens vítimas no incêndio de Santa Maria, no princípio deste ano. Rezamos por eles", disse o papa, que fez uma pausa e foi aplaudido.
 
Francisco perguntou aos jovens brasileiros sobre o que eles deixaram ao tocar na Cruz Peregrina, que esteve no país por dois anos, e o que a cruz deixou neles. Por fim, disse que a cruz convida os homens a saírem de si mesmos e ir ao encontro dos necessitados.
 
Após a fala do papa, a programação da jornada continuou com shows e os apresentadores pediram que o público continuasse para evitar transtornos na saída de Copacabana.

Fonte: Agência Brasil

terça-feira, 16 de julho de 2013

MP responsabiliza quatro bombeiros pela tragédia na Kiss



Incêndio foi o mais trágico do RS



Após cinco meses de investigação o Ministério Público de Santa Maria anunciou na tarde desta segunda-feira, 15, que ingressará com uma Ação Civil pedindo a condenação de quatro oficiais do Corpo de Bombeiros do município. Na acusação, o Ministério Público alega que atos de improbidade administrativa teriam contribuído para a tragédia na boate Kiss, que vitimou 242 pessoas em janeiro deste ano.
 


No entanto, nenhum servidor público foi indiciado pelo MP. O prefeito Cezar Schirmer ficou fora da ação. O inquérito será entregue à Justiça de Santa Maria. Os apontados por suposta improbidade administrativa são Altair de Freitas Cunha, Moisés da Silva Fuchs, Daniel da Silva Adriano e Alex da Rocha Camillo.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Santa Maria - Tragédia da Boate Kiss



O Relatório

O relatório técnico sobre a tragédia na boate Kiss que será divulgado hoje pelo conselho de engenharia gaúcho deverá botar em xeque a atuação dos bombeiros e dos donos da casa noturna. O documento deverá trazer conclusões sobre dois pontos essenciais que estão na gênese do incêndio: o tipo da espuma usada no revestimento e as saídas de emergência.


A espuma usada para melhorar a acústica da casa, instalada em meados do ano passado sem conhecimento dos órgãos públicos, era inapropriada para o ambiente. Existem produtos no mercado que são antifogo e, portanto, não queimariam tão rapidamente nem exalariam o gás cianeto que intoxicou dezenas de pessoas na casa. A Kiss tinha uma única saída para rua, o que contribuiu para a tragédia, dizem técnicos do conselho de engenharia, o Crea-RS.

Os bombeiros, ao aprovarem o plano de combate a incêndio da boate, consideram duas portas internas, que levam a um hall, como duas “saídas”. Pelas dimensões da área da boate, segundo as normas, precisaria haver ao menos duas saídas até a rua ou até algum lugar seguro, longe do fogo e da fumaça. O relatório técnico tem o papel de subsidiar as investigações da polícia. Em termos legais, o máximo que o órgão pode fazer é cassar o registro do responsável técnico da boate, caso fique provado que ele teve uma conduta incompatível com as normas.

O embasamento técnico que mostra o uso inadequado de certos produtos dentro da boate e o desrespeito às regras de prevenção de incêndio fazem parte da linha de investigação da polícia. Na casa, foram achados três extintores. O usado pela banda não funcionou. A polícia quer saber se estavam vazios e se o número de equipamentos antifogo da boate era suficiente.

Apoio dos EUA

Chegaram a Santa Maria pouco depois das 15h de sábado (2) os medicamentos vindos dos Estados Unidos para auxiliar no tratamento dos feridos no incêndio da boate Kiss. O fogo na danceteria no último domingo (27) matou 236 pessoas. O material será distribuído entre os hospitais de Porto Alegre e Santa Maria.

São 140 kits do medicamento hidroxicobalamina (vitamina B12 injetável), indicado para o tratamento de intoxicação por gás. A expectativa do Ministério da Saúde é a de que as doses, chamadas de "antídotos", anulem os possíveis efeitos tóxicos do cianeto no organismo.

Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) pousou na base aérea de Santa Maria por volta das 15h15. São 76 doses que serão levadas para Porto Alegre e 64 para Santa Maria, onde serão distribuídos aos hospitais em que há sobreviventes internados.

Chamado de “antídoto de gás tóxico”, a hidroxicobalamina ainda não está aprovada no Brasil, que possui apenas uma versão similar, porém menos concentrada. Os medicamentos foram doados pelos Estados Unidos. A decisão pelo seu uso será feita pelos profissionais de saúde que acompanham os pacientes internados, com base nos sintomas e no histórico de cada paciente.

Entenda a Tragédia

O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, deixou 236 mortos na madrugada do último domingo (27). O fogo teve início durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, que fez uso de artefatos pirotécnicos no palco. De acordo com relatos de sobreviventes e testemunhas, e das informações divulgadas até o momento por investigadores:
- O vocalista segurou um artefato pirotécnico aceso.
- Era comum a utilização de fogos pelo grupo.
- A banda comprou um sinalizador proibido.
- O extintor de incêndio não funcionou.
- Havia mais público do que a capacidade.
- A boate tinha apenas um acesso para a rua.
- Mais de 180 corpos foram retirados dos banheiros.
- 90% das vítimas fatais tiveram asfixia mecânica.
- Equipamentos de gravação estavam no conserto.

Prisões

Quatro pessoas foram presas na segunda por conta do incêndio: o dono da boate, Elissandro Calegaro Spohr; o sócio, Mauro Hofffmann; o vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo Santos; e um funcionário do grupo, Luciano Augusto Bonilha Leão, responsável pela segurança e outros serviços.

Investigação

O delegado Marcos Vianna, responsável pelo inquérito do incêndio na boate Kiss, disse que uma soma de quatro fatores contribuiu para a tragédia ter acabado com tantos mortos: 1) o fato de a boate ter só uma saída e a porta ser de tamanho reduzido; 2) o uso de um artefato sinalizador em um local fechado; 3) o excesso de pessoas no local; e 4) a espuma usada no revestimento, que pode não ter sido a mais indicada e ter influenciado na formação de gás tóxico.

O delegado regional de Santa Maria, Marcelo Arigony, afirmou também na terça que a Polícia Civil tem "diversos indicativos" de que a boate estava irregular e não podia estar funcionando. "Se a boate estivesse regular, não teria havido quase 240 mortes", disse em entrevista. "Mas isso ainda é preliminar e precisa ser corroborado pelos depoimentos das testemunhas e os laudos periciais", completou.

Arigony disse ainda que a banda Gurizada Fandangueira utilizou um sinalizador mais barato, próprio para ambientes abertos e que não deveria ser usado durante show em local fechado. "O sinalizador para ambiente aberto custava R$ 2,50 a unidade e, para ambiente fechado, R$ 70. Eles sabiam disso, usaram este modelo para economizar. Usaram o equipamento para ambiente aberto porque era mais barato”, disse o delegado.

O vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo Santos, admitiu em seu depoimento à Polícia Civil que segurou um sinalizador aceso durante o show, de acordo com o promotor criminal Joel Oliveira Dutra. O músico disse, no entanto, que não acredita que as faíscas do artefato tenham provocado o incêndio. Ele afirmou que já havia manipulado esse tipo de artefato por diversas vezes em outras apresentações.

A boate Kiss desrespeitou pelo menos dois artigos de leis estadual e municipal no que diz respeito ao plano de prevenção contra incêndio. Tanto a legislação do Rio Grande do Sul quanto a de Santa Maria listam exigências não cumpridas pela casa noturna, como a instalação de uma segunda porta, de emergência. A boate situada na Rua dos Andradas tinha apenas uma, por onde o público entrava e saía. Outra medida que não foi cumprida na estrutura da boate diz respeito ao tipo de revestimento utilizado como isolamento acústico.


A Brigada Militar informou nesta quarta que a boate não estava em desacordo com normas de prevenção contra incêndios em relação ao número de saídas. Segundo interpretação da lei, o local atendia as normas ao possuir duas saídas no salão principal. Mas as portas, no entanto, não davam para a rua, e sim para um hall. Este sim dava para a rua através de uma só porta. "Foi um ato possível que o engenheiro conseguiu colocar", disse o tenente coronel Adriano Krukoski, comandante do Corpo de Bombeiros de Porto Alegre.

Jader Marques, advogado de Elissandro Spohr, um dos sócios da boate, disse que a casa noturna estava em "plenas condições" de receber a festa. Ele falou sobre documentação da casa, segurança, lotação, e disse que a banda Gurizada Fandangueira não avisou que usaria sinalizadores naquela noite. O advogado ainda afirmou que o Ministério Público vistoriou o local "diversas vezes".

A Prefeitura de Santa Maria se eximiu de responsabilidade pelo incêndio e entregou alvará para a polícia que mostra data de validade de inspeção para prevenção de incêndio, feita pelo Corpo de Bombeiros. A prefeitura afirma que a sua responsabilidade era apenas sobre o alvará de localização, que é válido com a vistoria do ano corrente. O documento informa que a vistoria foi feita em 19 de abril de 2012.

O chefe do Estado Maior do 4º Comando Regional do Corpo de Bombeiros, major Gerson Pereira, disse na quarta que a casa noturna tinha todas as exigências estabelecidas pela lei vigente no Brasil. "Quem falhou, que assuma a sua responsabilidade. Nós fizemos tudo o que estava ao nosso alcance e não vou entrar em jogo de empurra-empurra", afirmou.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul abriu um inquérito civil na terça para investigar a possibilidade de improbidade administrativa por parte de integrantes da Prefeitura de Santa Maria, do Corpo de Bombeiros e de outros órgãos públicos por terem permitido que a boate Kiss continuasse funcionando mesmo com as licenças de operação e sanitária vencidas.

DEUS CONSOLA AS FAMILIAS!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013


     Santa Maria em Luto

Um incêndio atingiu a casa noturna Kiss, na cidade gaúcha de Santa Maria, e deu início a uma das maiores tragédias da história do Brasil. A boate Kiss era frequentada principalmente por jovens de classe média de Santa Maria - cidade que tem uma grande população universitária, as autoridades afirmam que pelo menos 231 pessoas foram mortas. A intoxicação respiratória foi a principal causa das mortes no incêndio, segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A polícia cumpriu quatro mandados de prisão temporária e deteve os dois sócios da casa noturna, um integrante da banda que se apresentava no local e um membro da equipe de apoio do grupo.

Uma comissão formada pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul (Crea-RS) viajará a Santa Maria na quinta-feira para tentar apurar as causas da tragédia na boate Kiss, missão incluirá a inspeção da estrutura da boate e dos documentos que autorizavam seu funcionamento, será elaborado um parecer técnico, que será entregue às autoridades competentes.

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul divulgou uma nota em que confirma o bloqueio de bens dos sócio-proprietários da boate Kiss. Segundo o comunicado, o objetivo é “garantir a reserva de patrimônio em futuras indenizações aos familiares das vítimas”. O texto informa ainda que a decisão envolve bens imóveis, automóveis, contas bancárias e o CNPJ da casa noturna.

O Hemocentro do Rio Grande do Sul afirmou ter registrado um "movimento recorde" de pessoas dispostas a doar sangue após a tragédia de Santa Maria: foram quase 900 apenas na segunda-feira.

Segundo o Hemocentro, o movimento total da segunda-feira foi equivalente a quase duas semanas de trabalho em períodos de normalidade.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta terça-feira que 118 pessoas permanecem internadas como conseqüência do incêndio que deixou mais de 231 mortos em Santa Maria.

"Nós temos 75 pacientes que estão em estado crítico, precisam de atenção e podem vir a óbito", afirmou o ministro. "Mas, em uma tragédia como essa, conseguir 54 horas sem mortes é muito bom, muito importante."

Segundo as autoridades, entre os pacientes hospitalizados estão 20 com queimaduras graves.

Seis toneladas de materiais hospitalares foram enviados a Santa Maria em aviões da Força Aérea Brasileira.

Além de medicamentos, a carga inclui soro, luvas, ataduras, suprimentos e aparelhos respiratórios para que os hospitais da cidade possam atender às vítimas do incêndio que deixou mais de 230 mortos.

Além dos quatro mandados de prisão temporária, a polícia gaúcha cumpriu três ordens de busca e apreensão em lugares freqüentados por um dos sócios da boate Kiss.

Na noite de segunda, o juiz de plantão do fórum de Santa Maria também determinou o bloqueio dos bens dos proprietários da casa noturna.

Vestidas com roupas brancas, milhares de pessoas se reuniram em uma passeata pelas ruas de Santa Maria na noite de segunda-feira.

Organizado por meio das redes sociais, principalmente pelo Facebook, a manifestação foi uma homenagem às vítimas do incêndio na boate Kiss.

Os participantes levaram cartazes com fotos de amigos e parentes mortos na tragédia e soltaram balões brancos em direção ao céu.

A coordenação de Defesa Civil do Rio Grande do Sul está administrando a doação de materiais que são enviados a Santa Maria.

As equipes na cidade afirmam que os itens mais necessários são água, luvas, papel higiênico, álcool gel, máscaras e medicamentos, que podem ser encaminhados diretamente aos hospitais de Santa Maria.

Deus! Olhe pelas Familias desses Jovens!