O
presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta sexta-feira
(17) mudanças nos serviços de inteligência do país. Em discurso, ele
disse que os serviços de informações não irão espionar rotineiramente
países considerados aliados.
“Fui muito claro para os serviços de
informação: a menos que a segurança nacional esteja em jogo, não iremos
espionar as comunicações dos líderes dos países aliados mais próximos e
nossos amigos”, afirmou.
Obama havia informado, no dia 10 deste
mês, que faria o anúncio das mudanças, mas que elas ainda estavam sendo
definidas. A medida altera a regulação dos programas de vigilância
norte-americanos, tão criticados após as denúncias
feitas pelo consultor de informática Edward Snowden, que prestava
serviços à Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês).
As revelações sobre casos de espionagem maciça fornecidas por Snowden aos jornais Washington Post, dos Estados Unidos, e The Guardian,
da Grã-Bretanha, provocaram mal-estar diplomático, ao tornar público
que os serviços secretos norte-americanos espionaram as comunicações em
diversos países. Entre os líderes que tiveram as comunicações
monitoradas pelo serviço norte-americano estavam a chanceler alemã
Angela Merkel e a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff.
Em dezembro, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, por unanimidade, o projeto de resolução O Direito à Privacidade na Era Digital,
apresentado por Brasil e Alemanha como reação às denúncias de
espionagem internacional praticada pelos Estados Unidos em meios
eletrônicos e digitais.
A governante fará o
discurso de abertura da Assembleia da ONU e segundo fontes oficiais
abordará a necessidade de se adotar medidas globais para impedir a
espionagem
A
presidente Dilma Rousseff chegará nesta segunda-feira em Nova York para
participar da Assembleia Geral das Nações Unidas, onde provavelmente
criticará a espionagem feita pelos Estados Unidos e da qual foi vítima
direta. Dilma partirá para Nova York na noite de hoje e amanhã não terá
compromissos oficiais, segundo a agenda divulgada pela presidência.
Na terça-feira, como é de costume devido a sua condição de presidente
do Brasil, a governante fará o discurso de abertura da Assembleia da
ONU e segundo fontes oficiais abordará a necessidade de se adotar
medidas globais para impedir a espionagem.
A atuação das agências de inteligência americanas no Brasil esfriou
as relações entre ambos os países e Dilma chegou a adiar a visita de
Estado a Washington prevista para 23 de outubro. Segundo documentos
filtrados pelo ex-técnico da Agência Nacional de Segurança (ANS) Edward
Snowden, o serviço de inteligência americana espionou Dilma, assim como a
Petrobras e cidadãos brasileiros.
Em seu discurso diante dos líderes mundiais, também se prevê que a
presidente critique a política monetária dos Estados Unidos e seu
impacto nas moedas nacionais, declare sua rejeição a uma intervenção na
Síria sem apoio da ONU e reitere seu reconhecimento ao Estado palestino,
entre outros assuntos.
Além de participar da Assembleia Geral, Dilma aproveitará sua estadia
em Nova York para se reunir com empresários americanos e operadores do
mercado de Wall Strett, aos quais apresentará oportunidades de negócios
no Brasil.
Entre os membros da delegação que acompanhará a presidente em Nova
York está o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo,
que entre outros compromissos tem prevista uma reunião com chanceleres
do grupo Brics, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do
Sul.
A
Casa Branca confirmou nesta terça-feira que a presidente Dilma Rousseff
adiou uma visita de Estado que faria a Washington em outubro devido a
denúncias de espionagem, e disse que uma nova data para a visita será acertada de comum acordo.
Dilma conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na segunda-feira à noite, após encontro entre os dois na cúpula do G20, em São Petersburgo, na semana passada.
"O presidente disse que ele entende e lamenta as preocupações que
supostas atividades de inteligência dos EUA geraram no Brasil e deixou
claro que está empenhado em trabalhar em conjunto com a presidente Dilma
Rousseff e seu governo nos canais diplomáticos para superar esta
questão como uma fonte de tensão em nossa relação bilateral", disse o
porta-voz da Casa Branca Jay Carney.
A
presidente Dilma Rousseff decidiu cancelar sua viagem oficial aos
Estados Unidos, marcada para o dia 23 de outubro. No Palácio do Planalto
a informação é que não há clima para a realização da viagem de Estado a
Washington após as suspeitas de espionagem envolvendo o governo
americano.
As respostas dadas até agora sobre os vazamentos de Eduard Snowden,
segundo quem Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês)
monitorou conversas da própria Dilma, além de dados da Petrobras, não
foram satisfatórias, na avaliação da presidente. Por isso, o adiamento
seria a melhor solução, para que, até lá, o assunto espionagem saia da
pauta principal e se possa considerar poder discutir questões
econômicas.
A resposta do Brasil está sendo informada aos Estados Unidos e a forma
de comunicado, construída em conjunto entre os dois países. Os
norte-americanos também vão anunciar uma decisão por Washington.
Enquanto isso, Dilma mantém a disposição de usar seu discurso da ONU, na
semana que vem, para criticar o monitoramento.
No início da crise, há dois meses, a reação americana ficou muito aquém
do que esperava o Brasil. No fim da tarde dessa segunda, Obama
telefonou para Dilma para tratar do assunto. Nem o Itamaraty nem a
Presidência revelaram detalhes da conversa dos dois - que aconteceu às
18h30 e durou cerca de 20 minutos.
Há duas semanas, a presidente já havia mandado cancelar a viagem da
equipe preparatória, que cuida de toda a logística da visita e define os
detalhes da agenda. Na semana passada, durante reunião de cúpula do
G-20, na Rússia, Dilma declarou que sua ida dependeria de "condições
políticas" a serem criadas por Obama.
O
porta-voz da Presidência da República, Thomas Traumann, informou hoje
(16) que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, telefonou às
18h30 para a presidenta da República, Dilma Rousseff. Conforme o
porta-voz, a presidenta anunciará amanhã (17) decisão sobre a viagem ao
país, programada para outubro. De
acordo com Traumann, a conversa entre os dois presidentes durou vinte
minutos e o porta-voz não revelou detalhes do telefonema. “A decisão
sobre Washington será anunciada amanhã”, disse o porta-voz. Após
denúncias de que os Estados Unidos espionaram dados de brasileiros,
incluindo da presidenta, Dilma passou a cogitar o cancelamento da visita
de Estado ao país.
A presidenta se reuniu no final do dia com o ministro das Relações
Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, para discutir o retorno
dado pelo governo norte-americano aos questionamentos do Brasil sobre as
denúncias de espionagem. Figueiredo esteve em Washington na semana
passada para tratar do assunto com a conselheira de Segurança Nacional
dos Estados Unidos, Susan Rice. Há dez dias, durante a Cúpula do G20, na
Rússia, o presidente Barack Obama se comprometeu com a presidenta Dilma
a responder aos questionamentos do governo brasileiro em uma semana,
prazo já expirado. No
início da próxima semana, a presidenta Dilma viajará aos Estados Unidos,
mas para a abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações
Unidas (ONU), em Nova York.
Palácio do Planalto
confirmou na noite deste sábado que decisão sobre viagem aos Estados
Unidos será
tomada após reunião com chanceler
O
Palácio do Planalto confirmou na noite deste sábado que a decisão sobre
a visita da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos só será tomada
depois de reunião com o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto
Figueiredo. A agência Reuters noticiou hoje que assessores próximos de
Dilma têm orientado a presidente a cancelar sua viagem oficial aos Estados Unidos.
A viagem, prevista para ocorrer no próximo mês,
aconteceria após revelações de que a mandatária brasileira e outros
órgãos do País foram alvos de espionagem da Agência de Segurança
Nacional americana (NSA, na sigla em inglês). Figueiredo viajou aos
Estados Unidos nesta semana para ouvir as explicações das autoridades
americanas a respeito das denúncias de espionagens, e é aguardado em
Brasília para apresentar seu relatório a Dilma.
Entre aqueles que encorajam Dilma a cancelar a viagem está o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo a Reuters.
Dilma participou neste sábado do sepultamento do
ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) do governo Lula, Luiz
Gushiken, no cemitério do Redentor, em São Paulo, onde esteve
acompanhada do ex-presidente da República e de diversos ministros. No
início da noite, a presidente chegou a Porto Alegre (RS), onde
pernoitará. Na manhã de domingo, Dilma prestigiará a cerimônia de
conclusão das obras da plataforma de petróleo P-55, em Rio Grande, no
sul do Estado.
Espionagem americana no Brasil
Matéria do jornal O Globo de 6 de julho denunciou que
brasileiros, pessoas em trânsito pelo Brasil e também empresas podem
ter sido espionados pela Agência de Segurança Nacional dos Estados
Unidos (National Security Agency - NSA, na sigla em inglês), que virou
alvo de polêmicas após denúncias do ex-técnico da inteligência americana
Edward Snowden. A NSA teria utilizado um programa chamado Fairview, em
parceria com uma empresa de telefonia americana, que fornece dados de
redes de comunicação ao governo do país. Com relações comerciais com
empresas de diversos países, a empresa oferece também informações sobre
usuários de redes de comunicação de outras nações, ampliando o alcance
da espionagem da inteligência do governo dos EUA.
Ainda
segundo o jornal, uma das estações de espionagem utilizadas por agentes
da NSA, em parceria com a Agência Central de Inteligência (CIA) funcionou em Brasília,
pelo menos até 2002. Outros documentos apontam que escritórios da
Embaixada do Brasil em Washington e da missão brasileira nas Nações
Unidas, em Nova York, teriam sido alvos da agência.
Logo após a denúncia, a diplomacia brasileira cobrou explicações do
governo americano. O ministro das Relações Exteriores, Antonio
Patriota, afirmou que o País reagiu com “preocupação” ao caso.
O embaixador dos Estados Unidos, Thomas Shannon negou que
o governo americano colete dados em território brasileiro e afirmou
também que não houve a cooperação de empresas brasileiras com o serviço
secreto americano.
Após
as revelações, a ministra responsável pela articulação política do
governo, Ideli Salvatti (Relações Institucionais), afirmou que vai
pedir urgência na aprovação do marco civil da internet. O projeto tramita no Congresso Nacional desde 2011 e hoje está em apreciação pela Câmara dos Deputados.
Monitoramento
Reportagem veiculada pelo programa Fantástico, da TV Globo, afirma que
documentos que fariam parte de uma apresentação interna da Agência de
Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos mostram a
presidente Dilma Rousseff e seus assessores como alvos de espionagem.
De
acordo com a reportagem, entre os documentos está uma apresentação
chamada "filtragem inteligente de dados: estudo de caso México e
Brasil". Nela, aparecem o nome da presidente do Brasil e do presidente
do México, Enrique Peña Nieto, então candidato à presidência daquele
país quando o relatório foi produzido.
O
nome de Dilma, de acordo com a reportagem, está, por exemplo, em um
desenho que mostraria sua comunicação com assessores. Os nomes deles, no
entanto, estão apagados. O documento cita programas que podem rastrear
e-mails, acesso a páginas na internet, ligações telefônicas e o IP
(código de identificação do computador utilizado), mas não há exemplos
de mensagens ou ligações.
Casa Branca já havia confirmado o encontro entre os dois presidentes
Dilma chega ao jantar oficial do G20, em São Petersburgo, na Rússia,
depois de se reunir a sós com o presidente americano, Barack Obama
O Palácio de Planalto confirmou o encontro da
presidente Dilma Rousseff com o presidente dos Estados Unidos, Barack
Obama, durante a 8ª cúpula do G20, iniciada nesta quinta-feira na
Rússia. De acordo com o twitter do Blog do Planalto,
a reunião ocorreu logo depois da abertura do evento. A conversa era
esperada após denúncias de que os americanos espionaram brasileiros,
entre eles a própria presidente.
Encerrada a cerimônia de boas-vindas do G20, líderes das
19 maiores economias mundiais participaram da primeira reunião de
trabalho. Depois, se dirigiram ao Palácio Grand Peterhof, em São
Petersburgo, onde o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ofereceu um
jantar aos chefes de Estado. Dilma e Obama chegaram atrasados ao local.
O governo americano confirmou o encontro, mas não deu
qualquer detalhe. Antes, Ben Rhodes, vice-assessor de segurança para
comunicações estratégicas da Presidência americana, disse que Obama
buscaria fazer com "que os brasileiros tenham um melhor entendimento
sobre o que fazemos e o que não fazemos".
No último fim de semana, reportagem do Fantástico revelou
documentos mostrando que a Agência Nacional de Segurança dos Estados
Unidos monitorou conversas entre Dilma e seus principais assessores.
As revelações de espionagem causaram mal-estar na
relação bilateral e colocaram em dúvida a visita que Dilma deve fazer
aos Estados Unidos em outubro. Nesta quinta-feira, o Planalto confirmou o
cancelamento da ida a Washington, no sábado, de uma equipe que faria os
preparativos da viagem.
Espionagem americana no Brasil
Matéria do jornal O Globo de 6 de julho denunciou que
brasileiros, pessoas em trânsito pelo Brasil e também empresas podem
ter sido espionados pela Agência de Segurança Nacional dos Estados
Unidos (National Security Agency - NSA, na sigla em inglês), que virou
alvo de polêmicas após denúncias do ex-técnico da inteligência americana
Edward Snowden. A NSA teria utilizado um programa chamado Fairview, em
parceria com uma empresa de telefonia americana, que fornece dados de
redes de comunicação ao governo do país. Com relações comerciais com
empresas de diversos países, a empresa oferece também informações sobre
usuários de redes de comunicação de outras nações, ampliando o alcance
da espionagem da inteligência do governo dos EUA.
Ainda
segundo o jornal, uma das estações de espionagem utilizadas por agentes
da NSA, em parceria com a Agência Central de Inteligência (CIA) funcionou em Brasília,
pelo menos até 2002. Outros documentos apontam que escritórios da
Embaixada do Brasil em Washington e da missão brasileira nas Nações
Unidas, em Nova York, teriam sido alvos da agência.
Logo após a denúncia, a diplomacia brasileira cobrou explicações do
governo americano. O ministro das Relações Exteriores, Antonio
Patriota, afirmou que o País reagiu com “preocupação” ao caso.
O embaixador dos Estados Unidos, Thomas Shannon negou que
o governo americano colete dados em território brasileiro e afirmou
também que não houve a cooperação de empresas brasileiras com o serviço
secreto americano.
Após
as revelações, a ministra responsável pela articulação política do
governo, Ideli Salvatti (Relações Institucionais), afirmou que vai
pedir urgência na aprovação do marco civil da internet. O projeto tramita no Congresso Nacional desde 2011 e hoje está em apreciação pela Câmara dos Deputados.
O Brasil quer cooperar com a Argentina na área defesa cibernética para
se proteger de espionagem eletrônica, disse o ministro da Defesa, Celso
Amorim, que chegou nesta quinta-feira, 12, à capital argentina para uma
visita de dois dias. O tema adquiriu especial relevância a partir das
denúncias de que tanto a presidenta Dilma Rousseff como a Petrobras
foram espionadas pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos
(NSA).
A informação sobre a espionagem foi divulgada pela imprensa com base em
documentos sigilosos revelados ao jornalista norte-americano Glenn
Greenwald por Edward Snowden, ex-consultor de informática de uma empresa
que prestava serviço à NSA.
Segundo Amorim, a defesa cibernética "é a mais importante área de
defesa no século 21", mas o Brasil ainda está "dando os primeiros
passos". Por isso quer discutir, com a Argentina, uma aliança. "Queremos
ter uma ação coordenada, conjunta com a Argentina”, disse o ministro.
Ele lembrou que a presidenta Dilma - além de cobrar explicações dos
Estados Unidos - pediu "interesse redobrado nas questões de defesa”.
Amorim teve um encontro nesta quinta-feira com a presidenta da
Argentina, Cristina Kirchner. Amanhã (13), ele vai se reunir com
chanceler argentino, Hector Timerman, e o ministro da Defesa, Agustín
Rossi.
O comandante do Centro de Defesa Cibernética do Exército, general José
Carlos dos Santos, também participará dos encontros. Pelo menos 100
políticos e personalidades da Argentina também foram vítimas de
espionagem eletrônica, disse Timerman, na última reunião de presidentes
do Mercado Comum do Sul (Mercosul), em julho, no Uruguai.
Em entrevista durante
reunião do G20, Obama diz levar "muito a sério" as acusações de
espionagem dos serviços secretos americanos
O presidente americano, Barack Obama, declarou nesta
sexta-feira em São Petersburgo, na Rússia, que entende as "preocupações"
de Brasil e México sobre as acusações de espionagem dos serviços
secretos de seu país e que as leva "muito a sério".
"Levo estas acusações muito a sério", disse Obama em uma
coletiva de imprensa, antes de assegurar que "entende as preocupações"
da presidente Dilma Rousseff e do presidente mexicano, Enrique Peña
Nieto, que lhe pediram explicações.
Levo estas acusações muito a sério
Barack Obama
presidente dos Estados Unidos
Segundo Obama, os interesses do seu país com México e
Brasil são maiores do que a questão da espionagem, e que não "assina
embaixo de tudo que os jornais dizem" a respeito do assunto. Sobre
atuação da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA, na
sigla em inglês), Obama cogitou dar "um passo atrás" para analisar a
forma como as tecnologias têm sido usadas.
Obama ressaltou que "há uma gama de interesses" nas
relações envolvendo os EUA e os dois países que, segundo denúncias
veiculadas na imprensa, foram espionados. "Especificamente sobre Brasil e
México, temos de analisar as alegações. Não assino embaixo de tudo que
os jornais dizem. Levo as alegações muito a sério, entendo as alegações
de mexicanos e do povo brasileiro, e vamos trabalhar para ver onde está a
fonte de tensão", disse.
"A razão pela qual fui ao Brasil é que esse é um país
importante e com história de sucesso na transição da ditadura para a
democracia, além de ser uma das economias mais dinâmicas do mundo",
argumentou o presidente dos EUA.
Sobre a atuação da NSA, envolvida na espionagem ao
Brasil e México, Obama disse caber à agência "buscar informações que não
estão em fontes públicas", e que essa prática é similar ao que países
mundo afora fazem por meio dos seus serviços de inteligência. "A verdade
é que somos maiores e temos melhor capacidade", emendou.
"Com a tecnologia mudando tão rapidamente, e as
capacidades aumentando ainda mais, é importante que a gente dê um passo
atrás e analise o que estamos fazendo, porque, só porque podemos
conseguir as informações, não quer dizer que tenhamos que acessá-las.
Pode ter aí uma relação custo-benefício que temos que pesar", completou o
presidente americano. Ele considerou a possibilidade de a NSA fazer
análises "camada a camada", para identificar o que, posteriormente, pode
ser analisado de forma mais aprofundada.
Monitoramento
Reportagem veiculada no último domingo pelo programa Fantástico, da TV
Globo, afirma que documentos que fariam parte de uma apresentação
interna da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) dos
Estados Unidos mostram a presidente Dilma Rousseff e seus assessores
como alvos de espionagem.
De
acordo com a reportagem, entre os documentos está uma apresentação
chamada "filtragem inteligente de dados: estudo de caso México e
Brasil". Nela, aparecem o nome da presidente do Brasil e do presidente
do México, Enrique Peña Nieto, então candidato à presidência daquele
país quando o relatório foi produzido.
O
nome de Dilma, de acordo com a reportagem, está, por exemplo, em um
desenho que mostraria sua comunicação com assessores. Os nomes deles, no
entanto, estão apagados. O documento cita programas que podem rastrear
e-mails, acesso a páginas na internet, ligações telefônicas e o IP
(código de identificação do computador utilizado), mas não há exemplos
de mensagens ou ligações.
Em meio a tensão com EUA, Dilma participa de reunião do G20
6 de setembro - Obama conversa com Dilma durante a foto oficial dos líderes da cúpula do G20 em São Petesburgo, na Rússia
Foto: Reuters
Espionagem americana no Brasil
Matéria do jornal O Globo de 6 de julho denunciou que
brasileiros, pessoas em trânsito pelo Brasil e também empresas podem
ter sido espionados pela Agência de Segurança Nacional dos Estados
Unidos (National Security Agency - NSA, na sigla em inglês), que virou
alvo de polêmicas após denúncias do ex-técnico da inteligência americana
Edward Snowden. A NSA teria utilizado um programa chamado Fairview, em
parceria com uma empresa de telefonia americana, que fornece dados de
redes de comunicação ao governo do país. Com relações comerciais com
empresas de diversos países, a empresa oferece também informações sobre
usuários de redes de comunicação de outras nações, ampliando o alcance
da espionagem da inteligência do governo dos EUA.
Ainda
segundo o jornal, uma das estações de espionagem utilizadas por agentes
da NSA, em parceria com a Agência Central de Inteligência (CIA) funcionou em Brasília,
pelo menos até 2002. Outros documentos apontam que escritórios da
Embaixada do Brasil em Washington e da missão brasileira nas Nações
Unidas, em Nova York, teriam sido alvos da agência.
Logo após a denúncia, a diplomacia brasileira cobrou explicações do
governo americano. O ministro das Relações Exteriores, Antonio
Patriota, afirmou que o País reagiu com “preocupação” ao caso.
O embaixador dos Estados Unidos, Thomas Shannon negou que
o governo americano colete dados em território brasileiro e afirmou
também que não houve a cooperação de empresas brasileiras com o serviço
secreto americano.
Após
as revelações, a ministra responsável pela articulação política do
governo, Ideli Salvatti (Relações Institucionais), afirmou que vai
pedir urgência na aprovação do marco civil da internet. O projeto tramita no Congresso Nacional desde 2011 e hoje está em apreciação pela Câmara dos Deputados.
A presidente Dilma Rousseff convocou ministros, na manhã desta
segunda-feira, 2, para duas reuniões de emergência no Palácio do
Planalto a fim de tratar de denúncias de espionagem dos Estados Unidos
sobre ela e assessores diretos, divulgadas nesse domingo (1º) no
programa Fantástico, da TV Globo.
A primeira reunião começou
por volta das 10h e teve a presença dos ministros da Justiça, José
Eduardo Cardozo, do Gabinete de Segurança Institucional, general José
Elito, e da Secretaria-Geral, Gilberto Carvalho. A segunda, logo em
seguida, teve, além de Cardozo, os ministros das Comunicações, Paulo
Bernardo, da Defesa, Celso Amorim, e das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado.
Segundo a secretaria de Comunicação da Presidência, as duas reuniões
já terminaram. Nenhum dos ministros falou. Desde que as informações
começaram a ser divulgadas, em junho, os ministros das Comunicações e da
Justiça manifestaram preocupação com as denúncias, consideradas atos
contra a liberdade dos cidadãos e a soberania nacional.
Hoje, o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon,
foi ao Itamaraty prestar esclarecimentos sobre o tema ao chanceler
Figueiredo Machado. Depois da reunião, Shannon saiu sem falar com a
imprensa e Figueiredo Machado foi para a reunião com Dilma e outros
ministros.