O papa Francisco fez um chamado ao diálogo entre os
políticos brasileiros e os manifestantes que neste ano começaram a ir às
ruas exigindo mudanças nos serviços públicos e o combate à corrupção.
Durante o encontro com autoridades políticas, diplomáticas, religiosas,
acadêmicas e empresariais no Theatro Municipal do Rio, o Pontífice disse
que o diálogo construtivo é fundamental para enfrentar o momento atual:
"O diálogo entre as gerações, o diálogo com o povo, a capacidade de dar
e receber, permanecendo abertos à verdade", disse, afirmando que um
país cresce quando se abrem ao diálogo com suas riquezas culturais.
Mostrando postagens com marcador teatro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador teatro. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 5 de julho de 2019
sábado, 22 de março de 2014
Que rufem os tambores! É preciso falar sobre arte
Nesta sexta-feira, dia 21, é comemorado o Dia Universal do Teatro. Em
todo o mundo, celebrações homenageiam a arte originada a partir da
necessidade do homem de se comunicar e estimular questionamentos sobre o
ser e o existir. Em Bento Gonçalves, o gênero ganhou expressividade há
cerca de 40 anos, tendo à frente nomes como Moacir Correa, Mônica Blume,
Azir Beltram (já falecido) e Ivone Balsan. Quatro décadas se passaram,
e, ao que tudo indica, a luta pelo reconhecimento da classe está longe
de terminar.
O primeiro contato de Correa, o Moa, aconteceu quando criança, na
década de 1970. No antigo teatro Marcopolo, que funcionava no atual
prédio da Paróquia Santo Antônio, seria apresentada a peça “O rapto das
cebolinhas”. Como não tinha dinheiro para comprar o ingresso, Moa
negociou uma forma de conseguir o valor. “Minha mãe tinha uma quantia
guardada para comprar lenha. Eu propus um acordo: se ela me desse o
dinheiro do ingresso, eu mesmo buscaria lenha no mato. No momento em que
estava na plateia, tive certeza que era aquilo o que eu desejava para a
minha vida”, recorda.
Depois de apresentado ao mundo artístico, o menino nunca mais parou.
Como viver de arte era inviável na Bento Gonçalves das décadas de 1970 e
1980, para pagar as contas ele mantinha o teatro e a dança paralelos ao
trabalho de militar e, posteriormente, de colaborador dos Correios.
“Tive sorte de ter conhecido pessoas muito boas na minha vida. O coronel
do Exército era um homem muito culto e permitia que eu me ausentasse
para poder fazer as minhas apresentações”, recorda. Outro ponto de
encontro de atores era o Cine Ipiranga – desativado –, anexo à sede do
clube de mesmo nome, no bairro Cidade Alta.
Festivais
Na década de 1980, existiam mais de dez grupos de teatro na cidade. Naquela época, foi realizado o 1º Festival de Teatro de Bento Gonçalves, em 1981. Foi então que Moa conheceu a trupe “Causas e Efeitos”, na qual atuou por cerca de cinco anos, colecionando prêmios. Depois vieram outros grupos, outras peças e muitos troféus. O Festival foi sucesso até 1987. Em 2007 e 2008, o evento chegou a ser reativado, mas no ano seguinte foi extinto. “O festival chegou a ser regional, vinham grupos de cidades vizinhas. Foi um tempo ótimo”, relembra Moa. “Era muito prazeroso, mas também foram tempos difíceis. Para mim, era impossível viver apenas com o dinheiro do teatro. Como era funcionária pública, a arte ficava em segundo plano”, avalia Mônica, que hoje integra o quadro de artistas da Maria Fumaça.
Caça-níquel
Na década de 1990, os entusiastas do teatro Moa, Mônica Blume e Ivone Balsan, cansados de mendigar por um espaço em que pudessem se apresentar, pressionaram o Poder Público. Queriam um local para ensaiar e promover apresentações. Na mesma época, o artista Azir Beltram liderava o grupo de teatro italiano “Fabriqueta de Rider” (em tradução livre, Fábrica de gargalhadas). “Vivíamos de teatro caça-níquel. Montávamos aqui em casa o roteiro, o figurino e o cenário. Colocávamos tudo em sacolas de viagem e peregrinávamos de escola em escola vendendo nossa arte em espetáculos com ingressos de R$ 1 por aluno. Eram várias apresentações por dia. Ficávamos acabados”, observa Correa.
Casa das Artes
“Que fique bem claro. A casa das Artes só foi concluída por pressão de três pessoas: eu, a Mônica Blume e a Ivone Balsan. Um dia dissemos: chega! Precisamos de um espaço para a arte. Não dá mais para ensaiar na rua ou em locais improvisados”, conta o artista. “Apresentamos um projeto à secretaria de Educação para realizar um festival de dança e teatro com o intuito de arrecadar valores que seriam revertidos para a conclusão do prédio – na época só existia a estrutura, sem cobertura. Não cobramos nada, estávamos nos doando, tudo pela causa. Depois de um tempo, a prefeitura ficou com vergonha e contratou uma produtora para captar recursos federais e, finalmente, concluir a Casa das Artes”, recorda Moa.
A espera continua
Na opinião de Moa e Mônica, ainda há muito o que fazer em Bento em prol da cultura. “A verdade é que a Casa das Artes tem muitas deficiências. Não é apropriada nem para ensaiar e, muito menos, para se apresentar. Como queremos cobrar apreço do povo pela cultura se não há um espaço adequado para os artistas?”, reforça Mônica. “A Casa das Artes é muito linda, mas não é funcional. Falta o principal: um palco bem estruturado para receber grandes espetáculos. O público fica bem acomodado, mas e o artista? Eu vi a pedra fundamental da estrutura ser fixada, mas até agora não vi um palco decente. Não peço a Ópera da Bastilha, só quero contribuir com a criação de um cenário cultural promissor para as próximas gerações”, desabafa o artista, referindo-se à sede oficial da Ópera Nacional de Paris, que tem capacidade para mais de 2.700 pessoas e é palco de famosas apresentações de balé.
Reportagem: Jornal SerraNossa - Priscila Boeira
Marcadores:
artista,
Cia do Riso,
cultura,
dança,
festivais,
Fundação Casa das Artes,
Moacir Correia,
talento,
teatro,
vida
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Morre o ator e músico Nico Nicolaiewsky
Aos 56 anos, artista estava internado no Hospital Moinhos de Vento para tratamento de leucemia
O ator, músico, compositor e humorista Nico Nicolaiewsky
morreu nesta sexta-feira, aos 56 anos. Ele sofria de leucemia e estava
internado no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Segundo boletim
médico, Nico faleceu às 5:30, em decorrência de complicações relacionadas à Leucemia Mielóide Aguda.
Conhecido, entre outros trabalhos, pela interpretação do maestro Pletskaya no espetáculo Tangos & Tragédias, no qual dividia o palco com Hique Gomez, Nico estava internado para tratamento desde janeiro. A temporada de verão do espetáculo no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, havia sido cancelada em função da doença do artista.
Além do Tangos..., que foi criado em 1984 e é exibido em
temporadas de verão no São Pedro ininterruptamente desde 1987,
Nicolaiewsky mantinha uma prolífica carreira musical, que incluía desde a
participação no lendário Musical Saracura, ainda na década de 1970, até uma ópera cômica, As Sete
Caras da Verdade, lançada em 2002.
O músico viveu 10 anos no Rio de Janeiro, onde estudou com o maestro Hans-Joachim Köellreuter. Além de As Sete Caras..., gravou dois discos solo, Nico Nicolaiewsky (1996), com valsas e canções líricas, algumas incluídas na trilha do filme Amores (de Domingos Oliveira, 1997) e Onde Está o Amor? (2007), produzido por John Ulhôa, guitarrista do Pato Fu.
Com o Musical Saracura, no qual era o responsável pelos teclados e
pelo vocal, lançou um LP homônimo, em 1982. A banda misturou influências
da MPB tropicalista, do rock e da música regional gaúcha – juntamente
com o compositor Mário Barbará, fizeram uma temporada de shows e chegaram a participar de uma edição da Califórnia da Canção Nativa, em Uruguaiana.
O Saracura também foi formado por Sílvio Marques (violão), Chaminé (baixo e voz) e Gatinha (que depois foi substituída na bateria por Fernando Pezão, além de estabelecer parcerias com nomes como Zé Flávio e Léo Henkin.
Outro registro deixado por Nicolaiewsky, além dos álbuns solo e do disco com o Saracura, é o DVD Tangos & Tragédias na Praça da Matriz, lançado em 2007.
O espetáculo "sborniano" também originou um
longa-metragem de animação, dirigido por Otto Guerra e apresentado pela
primeira vez no Festival de Gramado de 2013. O filme, intitulado Até que a Sbórnia nos Separe, está sendo convertido para 3D e deve ser lançado nos cinemas ainda em 2014. Será a primeira produção em 3D do Rio Grande do Sul.
Nico era casado com a atriz Márcia do Canto e deixa uma filha, Nina Nicolaiewsky, nascida em 1993.
Marcadores:
ator,
morre,
Nico Nicolaiewsky,
Porto Alegre,
teatro,
Televisão
sábado, 27 de julho de 2013
Papa pede respeito às religiões e diálogo entre políticos e manifestantes
"A cultura do encontro é a única que pode fazer uma pessoa, uma família, uma sociedade crescer", disse Francisco
O papa Francisco fez um chamado ao diálogo entre os
políticos brasileiros e os manifestantes que neste ano começaram a ir às
ruas exigindo mudanças nos serviços públicos e o combate à corrupção.
Durante o encontro com autoridades políticas, diplomáticas, religiosas,
acadêmicas e empresariais no Theatro Municipal do Rio, o Pontífice disse
que o diálogo construtivo é fundamental para enfrentar o momento atual:
"O diálogo entre as gerações, o diálogo com o povo, a capacidade de dar
e receber, permanecendo abertos à verdade", disse, afirmando que um
país cresce quando se abrem ao diálogo com suas riquezas culturais.
Favorável à pacífica convivência entre religiões
diversas é a laicidade do Estado que, sem assumir como própria qualquer
posição confessional, respeita e valoriza a presença do fator religioso
na sociedade.
"Entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há
uma opção sempre possível: o diálogo," afirmou na parte final de seu
discurso. Ele pediu ainda que dentro do seu papel laico, o Estado
respeite e valorize a contribuição das tradições religiosas de um país.
"Favorável à pacífica convivência entre religiões diversas é a laicidade
do Estado que, sem assumir como própria qualquer posição confessional,
respeita e valoriza a presença do fator religioso na sociedade",
afirmou. O papa Francisco disse também que é preciso que todos se
respeitem. "A cultura do encontro é a única que pode fazer uma pessoa,
uma família, uma sociedade crescer", disse, apostando em apenas uma
palavra: "Diálogo, diálogo e diálogo".
O Papa falou também sobre a dinâmica cultural
brasileira, povo que disse "amar", com sua capacidade de integrar
elementos diversos. Ele aposta na importância da religião para que o
Brasil possa logo superar o momento conturbado socialmente por que
passe: "O cristianismo une transcendência e encarnação; sempre
revitaliza o pensamento e a vida, frente à desilusão e o desencanto que
invadem os corações e saltam para a rua," disse.
Ele tocou ainda no tema da responsabilidade social e
pediu que a sociedade seja firme na inclusão econômica e nos valores
éticos. "O futuro exige de nós uma visão humanista da economia e uma
política que realize cada vez mais e melhor a participação das pessoas,
evitando elitismos e erradicando a pobreza", afirmou, pedindo que
ninguém seja privado do necessário e voltou a falar em favor dos
oprimidos, citando o profeta Amós: "Esmagam a cabeça dos fracos com o pó
da terra e tornam a vida dos oprimidos impossível". "Os gritos por
justiça continuam ainda hoje", comentou o Papa.
Alertou aos governantes de que é preciso ter objetivos
muito concretos quando se detém a função de guia. "Pode haver, porém, o
perigo da desilusão, da amargura, da indeferença, quando as aspirações
não se cumprem", afirmou, num recado direto à classe dirigente e pedindo
responsabilidade e sentido ético. "Esse sentido ético aparece, nos
nossos dias", como um desafio histórico sem precedentes. Impõe-se o
vínculo moral com uma responsabilidade social e profundamente
solidária", concluiu.
Teatro lotado
Cerca de 2 mil convidados, representando diversos segmentos da sociedade civil brasileira, lotaram o Theatro Municipal do Rio para o encontro com o papa Francisco. O presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, disse que a forma como o Papa se comunica é completamente diferente do que se tem visto e traz esperança. “E esperança é tudo o que precisamos."
Vieira destacou que o papa Francisco incentiva os jovens
a irem às ruas e combater a corrupção. “Vão para as ruas, façam
política com P maiúsculo. Essa é uma brutal esperança para a sociedade
mundial e brasileira."
Para o jornalista e escritor Cícero Sandroni, membro da
Academia Brasileira de Letras (ABL), o Papa está trazendo ao Rio de
Janeiro um fervor católico e uma fé religiosa que poucas vezes se viram
no Brasil. “Nunca vi uma coisa tão bonita como essa. Uma maravilha, pena
que esteja tão desorganizada”, disse Sandroni, que participou do
Congresso Eucarístico Internacional no Rio de Janeiro na década de
1950.
Antes de seu discurso, o Papa ouviu a história de vida
do jovem Walmyr Junior, morador da favela Marcílio Dias, no Complexo da
Maré, e que emocionou a todos. Ele falou sobre as dificuldades por que
passa um jovem numa comunidade dominada pelo tráfico de drogas.
"Experimentei drogas e foi um convite da minha paróquia, que me convidou
para um trabalho de voluntariado, que me mudou a vida", relatou. O
jovem formou-se em História na PUC-Rio.
Walmyr aproveitou para lembrar os 20 anos da chacina da
Candelária e as vítimas do incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria (RS),
no início do ano. Depois de seu relato, ele deu um abraço demorado no
Papa, que ficou emocionado com o que ouviu e deu sua benção ao jovem.
Papa Francisco no Brasil
A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2013 ocorre entre os dias 23 e 28 de julho, no Rio de Janeiro. O evento, realizado a cada dois ou três anos, promove um encontro internacional de jovens católicos com o Papa. A última edição da JMJ ocorreu em 2011, em Madri, na Espanha, e reuniu cerca de 2 milhões de pessoas, de mais de 190 países. O JMJ 2013 marca também a primeira grande visita internacional do papa Francisco desde sua nomeação como líder máximo da Igreja Católica, em 13 de março deste ano.
Assinar:
Postagens (Atom)

