Aos 52 anos, o ciclista e fumante Carlos Raul dos Santos Calvete
recebeu um diagnóstico que mudaria sua vida: câncer de pulmão. Ao ouvir
as palavras do médico, o atleta tomou uma decisão imediata.

— Larguei o cigarro só com o susto. Não precisei de adesivo nem de
mais nada. Eu apenas pensava: "Preciso encarar a doença, preciso me
curar" — relata o ex-fumante.
Durante seis meses, Carlos Raul foi submetido a sessões de quimio e
radioterapia e teve aproximadamente 30% do pulmão direito retirado.
Curado, voltou a se dedicar ao esporte e se surpreendeu com o novo
rendimento nas costumeiras provas de resistência.
— Minha condição física hoje (aos 56 anos) é muito melhor que a de antes — afirma.
O atleta teve um destino que grande parte dos fumantes não têm.
Segundo dados do Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da
FMUSP), a cada ano 6 milhões de pessoas morrem em todo o mundo por
doenças atribuídas ao cigarro. No Brasil, cerca de 130 mil pessoas
morrem todos os anos vítimas de doenças relacionadas ao fumo, o que
representa 13% do total de óbitos do país.
O Dia Mundial Sem Tabaco, comemorado nesta sexta-feira, 31 de maio,
foi criado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para alertar as
pessoas sobre os males provocados pelo consumo da substância, presente
em cigarros, cachimbos e charutos, e pretende incentivar mais pessoas a
tomarem a decisão de Carlos Raul — evitando as mais de 50 doenças
relacionadas ao fumo.
— Sabemos que o tabagismo é a principal causa dos problemas
respiratórios, chegando a causar danos irreversíveis no tecido pulmonar
em 45% dos casos. O cigarro é sempre o vilão, seja causando doenças
pelas suas próprias substâncias, como a DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva
Crônica) ou baixando a imunidade do fumante, permitindo, assim, que ele
contraia tuberculose, infecções pulmonares, fibrose pulmonar, entre
outras — explica José Jardim, pneumologista e Professor da Escola
Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
Cabe lembrar que os riscos não se restringem ao sistema respiratório.
Além de aumentar a incidência de doenças pulmonares, o tabagismo também
é uma ameaça para o coração. O cardiologista do Hospital Samaritano de
São Paulo, Maurício Jordão, explica que a incidência de infarto do
miocárdio é seis vezes maior nas mulheres e três vezes maior nos homens
que fumam pelo menos 20 cigarros por dia quando comparados com não
fumantes.
— O cigarro também ativa o sistema nervoso simpático com aumento da
frequência cardíaca, hipertensão arterial e aumento da capacidade de
vasoconstrição. Todos os efeitos acontecem durante o ato de fumar —
destaca o cardiologista.

Largar o cigarro não apenas evita problemas de saúde, mas melhora a
circulação, a capacidade pulmonar e, consequentemente, a disposição. 5
anos após ter recebido o diagnóstico e largado o vício, Carlos Raul
conta ter pedalado 9 mil km ao longo do ano passado — e que, com 3 mil
km até maio, espera superar esse número em 2013.
Confira os benefícios de parar de fumar:
— após 20 minutos, a pressão sanguínea e a pulsação voltam ao normal
— após 2 horas, não tem mais nicotina no sangue
— após 8 horas, o nível de oxigênio no sangue se normaliza
— após 2 dias, o olfato já percebe melhor os cheiros e o paladar já degusta a comida melhor
— após 3 semanas, a respiração fica mais fácil e a circulação melhora
— após 5 a 10 anos, o risco de sofrer infarto será igual ao de quem nunca fumou
Fonte: Jornal Zero Hora