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sábado, 22 de março de 2014

Movelsul Brasil 2014 busca atingir a classe C

Considerada a maior feira da América Latina voltada à nova classe média brasileira, a Movelsul Brasil acontece na próxima semana, entre os dias 24 e 28 de março, no Parque de Eventos de Bento Gonçalves, projetando superar US$ 300 milhões em negócios – na última edição foram US$ 350 milhões. Em 2012, mais de 38 mil pessoas circularam pelos 57.219m² ocupados por 328 expositores. Neste ano, são 296 estandes apresentando novidades no setor moveleiro, complementos e eletrodomésticos. A estratégia comercial desta edição foi atender ao aumento de área solicitado por expositores. A área total da mostra é a mesma, a diferença, neste ano, está na dimensão dos espaços, que estão maiores em relação a edições passadas.

Movelsul Brasil 2014 busca atingir a classe CA Movelsul Brasil ocupará todo o espaço do Parque de Eventos, seguindo o projeto de segmentação dos expositores por tipo de produto, iniciado na edição passada, em 2012. Desta forma, os pavilhões A, B, C e D receberão os fabricantes de móveis para escritório, cozinhas, dormitórios, áreas de serviço, banho, jardim e complementos. O pavilhão E será destinado a estofados, colchões, copas, sala de jantar e estar e complementos, assim como o pavilhão F, que terá também expositores de eletrodomésticos e tapetes.

Outra característica herdada da última edição, considerada uma das marcas da Movelsul 2014, é o foco na chamada classe C. Uma pesquisa divulgada pela Serasa Experian e pelo Instituto Data Popular mostra que essa camada social é a que mais cresce no país. Em 2013, o segmento era composto por 108 milhões de pessoas (54% da população), com previsão de chegar a 125 milhões em 2023, o equivalente a 58% do total de habitantes. De acordo com o levantamento, neste ano a classe média deverá fazer 8,5 milhões de viagens nacionais e 3,2 milhões internacionais; e adquirir 6,7 milhões de aparelhos de TV, 4,8 milhões de geladeiras, 4,5 milhões de tabletes, 3,9 milhões de smartphones, 3 milhões de carros e 2,5 milhões de imóveis.

Salão Design

A exposição dos 14 projetos vencedores do Prêmio Salão Design integra a programação da Movelsul. No total, foram inscritos 585 projetos de 15 países. Destes, 93 foram selecionados para a segunda fase nas modalidades Estudante, Profissional e Indústria. A etapa final contou com representantes do Brasil, Argentina, Colômbia, Itália e Uruguai. Entre os vencedores, dois projetos da Serra Gaúcha: um de Bento e outro de Garibaldi.

Os designers Leticia Ines Grisa, Fabiano Olbrisch e Tiago Zanotto, da UNT, de Bento Gonçalves, levaram um dos dois prêmios concedidos na categoria Móveis para Sala de Estar e Jantar. Em uma situação inédita, os jurados consideraram que os dois produtos dessa categoria tinham os requisitos para premiação. Dessa forma, além dos bento-gonçalvenses, foi premiada uma mesa de autoria do designer Pedro Paulo Venzon Filho, de Erechim. Já os designers Leandro Gava, Muriele Vivian e Cintia de Castria, da Ye Design, também de Bento Gonçalves, receberam menção honrosa na categoria Iluminação.

Projetada em 2013, a Poltrona Estaiada exalta a identidade brasileira através do trabalho na madeira, que sugere uma peça artesanal mesmo com sua fabricação em grande escala. Os cordões decorativos que estruturam a poltrona fornecem também elementos decorativos em cores variadas. Feita em madeira maciça, cordões de algodão e com almofadas de linho, a poltrona teve a aprovação unânime dos jurados. Já o Manilhão Moon, um puxador iluminado que agrega funcionalidade à estrutura de portas externas, funciona iluminando a fechadura em situações noturnas. A peça do estúdio YE Design também foi criada no ano passado e funciona como lâmpada de LED à pilha. O puxador é feito partir de Zamac e acrílico e pode ter acabamento cromado, dourado ou acetinado.

Ao todo, foram premiados 14 produtos de quatro países – Brasil, Argentina, Colômbia e Uruguai. Além das premiações em dinheiro, outros oito receberam menções honrosas e também foram concedidos os prêmios de Professor Orientador e Madeiras Alternativas. A listagem completa dos vencedores está disponível no link www.salaodesign.com.br/blog.

A comissão julgadora foi formada por cinco profissionais da área: as arquitetas Ilse Lang e Isabela Vecci; o designer e museógrafo Ivens Fontoura e os designers Pedro Moog e Peter Merigold. A premiação somou R$ 175 mil, além de atribuir um selo para uso exclusivo dos produtos agraciados. O Salão Design apresenta as melhores promessas do design anualmente: na Movelsul e na Casa Brasil, ambas realizadas em anos intercalados. 

Os critérios básicos para escolha dos vencedores são os mesmos nas duas versões do prêmio. A comissão julgadora avalia quesitos como o conceito do projeto; adequação ao público-alvo; forma e função; ergonomia; acabamento; fidelidade do produto em relação ao projeto apresentado; grau de inovação formal e tecnológica; qualidade e segurança; impacto ambiental; e viabilidade de produção. “A diferença básica é que nesta edição, ligada à Movelsul Brasil, a comissão julgadora buscou premiar os produtos que melhor expressaram o conceito de design democrático – no que diz respeito a uma linguagem clara e acessível ao entendimento de todos. Esse é um compromisso que segue o perfil da própria feira, voltada à classe média”, esclarece Henrique Tecchio, presidente do Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis), entidade promotora da feira.

Projeto Comprador

Pelo menos 30 importadoras de 16 países têm presença confirmada na Movelsul Brasil. Elas vêm ao evento por meio do Projeto Comprador e buscam produtos diferenciados, preço competitivo e tendências lançadas pela indústria moveleira nacional. Com apoio da Agência de Promoção de Exportações e Investimento (Apex-Brasil), a ação já é realizada há oito edições da feira e estimula as exportações dos móveis brasileiros.  

Reino Unido, Panamá, Chile e Colômbia, que concentram os cinco maiores importadores da última edição da feira, em 2012, terão representantes novamente neste ano. Também participam do Projeto Comprador localidades que tradicionalmente negociam com o Brasil, incluindo os Estados Unidos e países da América Latina. Fechando a lista e seguindo a estratégia do Sindmóveis de diversificação de destinos para os móveis brasileiros, estão Curaçao, Gana e Ilha de São Martin. Apesar de serem pequenos mercados, os importadores desses três países atendem também a mercados vizinhos.

No país de origem, as empresas convidadas atuam em diferentes setores, como distribuição e varejo, atendendo a todas as classes sociais. A soma de importação dessas companhias estrangeiras atingiu, nos últimos três anos, o valor médio anual de US$ 150 milhões, sendo que produtos para cozinhas, dormitórios e living rooms são os mais procurados no mercado brasileiro. Na sequência, estão estofados e móveis para escritórios, seguidos de móveis para jardim, restaurantes, área de serviço, eletrodomésticos e colchões.

O que esperar da Movelsul

“Em se tratando de uma das maiores feiras do mundo no segmento moveleiro, os desafios são muitos. Na última edição da feira, modificamos drasticamente a disposição dos expositores, segmentando-os por tipologia de produto – móveis para escritório; móveis em aço, ferro e para jardim (incluindo complementos); cozinhas, dormitórios, áreas de serviço e banho; cadeiras, copas, sala de estar e jantar (incluindo complementos); estofados e colchões; eletros e tapetes. Foi uma decisão assertiva e o expositor pode ter a certeza de que a entidade está trabalhando para melhorar os serviços oferecidos e qualificar ainda mais o público visitante. Mantivemos a mesma fórmula, aprimorando-a e buscando nos aproximar ainda mais do ideal esperado pelo expositor. O esforço desta 19ª edição da Movelsul é no sentido de consolidar o novo modelo, trazendo os lançamentos das principais indústrias moveleiras nacionais. Posso garantir que os visitantes encontrarão um bom ambiente para negócios e toda a estrutura que somente a principal feira de móveis da América Latina é capaz de oferecer”, diz o presidente Henrique Tecchio.

Programe-se

Movelsul Brasil 2014
Quando: de 24 a 28 de março
Local: Parque de Eventos da Fundaparque
Credenciamento: www.movelsul.com.br
Restrições: não é autorizada a entrada de bebês, crianças e adolescentes menores de 16 anos, mesmo que acompanhados dos responsáveis.
Tecnologia: a exemplo da última Casa Brasil, a Movelsul Brasil 2014 contará com um aplicativo para smartphones, desenvolvido pela agência Rèvo. Ele contém a listagem de expositores, como chegar, notícias, histórico da feira, mapa, programação, manual do expositor, serviços e uma opção de contato direto com o Sindmóveis, entidade promotora da feira. Para encontrar o aplicativo, basta procurar ‘Movelsul’ na App Store ou Play Store/Google Store, de acordo com a marca do aparelho.

Reportagem: Priscila Boeira

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Especialista traça perfil dos jovens que participam dos rolezinhos

Eles pertencem fundamentalmente à classe C e têm potencial de consumo (R$ 129 bilhões por mês) maior do que as classes A, B e D juntas (R$ 99 bilhões por mês)

"Esse país, que reúne 155 milhões de brasileiros, não quer discutir o passado, quer discutir o futuro. É isso que vai ditar a pauta eleitoral"
'Esse país, que reúne 155 milhões de brasileiros, não quer discutir o passado, quer discutir o futuro. É isso que vai ditar a pauta eleitoral' (Patrícia Cruz/Divulgação)
Presidente do Instituto Data Popular, Renato Meirelles traça, por meio de pesquisa da empresa, um perfil dos jovens que têm assustado shoppings e parte dos frequentadores dos grandes centros comerciais pelo país. Eles pertencem fundamentalmente à classe C e têm potencial de consumo (R$ 129 bilhões por mês) maior do que as classes A, B e D juntas (R$ 99 bilhões por mês). Então, por que assustam? “Os rolezinhos esfregam na cara da sociedade que a renda cresceu numa velocidade muito maior do que a democratização dos espaços de consumo”, analisa.

Esses jovens estão inseridos em um “país imaginário”, traçado no mais recente levantamento do instituto, divulgado esta semana. Este país é formado pelas classes C, D e E do Brasil, que, hoje, juntas seriam o oitavo país do mundo em população e o 16º em consumo.

Para Meirelles, esse público será decisivo nas eleições presidenciais. “A discussão na eleição não vai ser o controle da inflação — legado do PSDB — versus democratização do consumo e melhora da renda — legado do ex-presidente Lula. Essa discussão vai ser pautada pelos jovens do novo país.” Confira a seguir os principais trechos da entrevista de Meirelles ao Correio.


Público

Descobrimos (em pesquisa) que os jovens da classe C são a maioria absoluta dos frequentadores de shoppings. Depois disso, vimos o quanto eles consumiam. Eles gastam mais do que a soma das classes A, B e D juntas, o que pode ser uma oportunidade (para os shoppings).

Jovens no rolê

Esses jovens que frequentam os shoppings são os adolescentes da nova classe média brasileira. São os filhos daquelas pessoas que melhoraram de vida nos últimos anos e que cresceram num universo sem tantas restrições orçamentárias. Cresceram tendo a certeza de que entrariam numa faculdade, que não teriam que parar de estudar para trabalhar. Mas que, mesmo assim, trabalham para ajudar na renda familiar. Enxergam no shopping um local corriqueiro para andar, seguro, no qual é possível se encontrar com amigos, onde há ar-condicionado e uma praça de alimentação decente.

O papel da rede

Além da questão econômica, a internet é fundamental para entender o que está acontecendo. Todas as classes sempre combinaram com amigos de se encontrar no shopping. Só que a rede social tem feito surgir pequenas celebridades da periferia, que são desconhecidas do grande público. Esses jovens, que têm 20, 30, 40 mil seguidores, querem se reunir com as pessoas. Marcam de se encontrar num local que acham mais adequado, que conhecem. E eles conhecem muito bem os shoppings. As pessoas não entendem ainda a força disso.

Conciliação

Se eu fosse dono de shopping, lançaria uma grande campanha: jovem, seja bem-vindo, traga a sua família, venha. É óbvio que não é zona. A questão é fazer com que essas novas celebridades da periferia não marquem no mesmo dia. Vamos criar condições. Programar essas reuniões para momentos de baixo fluxo nos shoppings, domingo de manhã, por exemplo, de alguma forma que não cause maior incômodo para outros frequentadores.

Espaços públicos

Os jovens das classes A e B também fazem rolezinho. Quando tem calourada na Universidade de São Paulo, vão para o Shopping Eldorado. O que quero dizer é que o jovem vai continuar indo ao shopping, independentemente dos espaços públicos, o que não significa que não faltam espaços na periferia. Óbvio que falta e isso deve ser incentivado. Mas não é a causa dos rolezinhos.

Discussão política

A ida ao rolezinho não tem nenhuma motivação política. Mas a consequência virou uma discussão política, porque, obviamente, os rolezinhos esfregam na cara da sociedade que a renda cresceu numa velocidade muito maior do que a democratização dos espaços de consumo. E os espaços de consumo que eram exclusivos da elite passaram a ser ocupados por outras classes, que adquiriram condição de comprar. E (essa discussão) não é só em relação ao rolezinho. Vem ocorrendo. Todo mundo se lembra da revolta de parte dos moradores de Higienópolis (bairro de São Paulo), porque (o governo) queria fazer metrô lá, o que ia atrair gente “diferenciada”. Todo mundo já ouviu aquela frase: “Esse aeroporto virou uma rodoviária”, o que tem, na verdade, como pano de fundo, é o incômodo com essa democratização. Sejam bem-vindos! Não lutamos tanto pela democratização da renda? Chegamos a ela. E ainda vemos gente falando frases como “é um absurdo os direitos das empregadas”, quase um “agora elas estão achando que são gente”. Mas a intenção era essa. Nos países desenvolvidos, o emprego doméstico é muito bem remunerado. Por que não ser no Brasil?

O país imaginário

Criamos um país imaginário (em nova pesquisa) chamado classe C, D e E do Brasil. Esse país movimentou R$ 1,27 trilhão (em 2013). Ele seria o oitavo maior país do mundo em população e o 16º em consumo. Estaria no G20 do consumo mundial. Esse país teve um crescimento de renda real muito maior do que a elite do Brasil. No entanto, ainda há desigualdades. Esse país tem um número considerável de analfabetos e quase 20 milhões de domicílios sem esgoto. Mas é um país próspero e otimista antes de tudo. Mais de 60% desse país, chamado periferia, acha que a vida melhorou, e pelo próprio mérito, o que o torna otimista em relação ao futuro.

Eleições

Esse país imaginário acredita que deve ter um governo que ofereça educação gratuita e saúde de qualidade para todos. Esse país tem mais de 40% de mulheres que são chefes de família e 60% são negros. É esse país que vai definir o cenário eleitoral da próxima eleição presidencial. É um país mais conectado do que no passado, em especial os jovens. É um país que tem esse jovem como novo formador de opinião, porque ele estudou mais do que o pai. E esse jovem vai querer discutir futuro. Quer saber o que vai ser o Bolsa Família 2.0. Vai ter emprego para o meu pai? Vai ter política de educação para meu filho? Esse país tem também a mulher como grande protagonista. E ele não quer mais cesta básica, quer plano nacional de banda larga. Esse país, que reúne 155 milhões de brasileiros, não quer discutir o passado, quer discutir o futuro. Quem é o político ou o governante que vai ser capaz de me levar adiante? É isso que vai ditar a pauta eleitoral.