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sábado, 5 de abril de 2014

Prefeitura recorre de decisão judicial

Procuradoria já encaminhou recurso para derrubar liminar que proíbe 
expansão do sistema no Centro

Prefeitura recorre de decisão judicialLogo após colocar em funcionamento a segunda etapa do projeto de implantação de faixas seletivas para o transporte coletivo em Bento Gonçalves, dessa vez na rua Júlio de Castilhos, a prefeitura já precisará defender a proposta na Justiça. Para tentar derrubar a liminar barrando a expansão do sistema, deferida no início da semana pela juíza Romani Terezinha Bortolas Dalcin – atendendo ao pedido de um grupo de lojistas que reclama da realocação de estacionamentos – a Procuradoria-geral do Município argumenta não haver ilegalidade na medida, que não teria a obrigatoriedade de novos estudos.

A decisão da magistrada não atinge as áreas que já receberam as pistas exclusivas (veja abaixo). A primeira foi a Barão do Rio Branco. Nas duas, o horário de utilização é das 6h às 19h. No entendimento da prefeitura, caso se mantenha a liminar, apenas a criação da faixa na Saldanha Marinho, a fase seguinte, poderia ser paralisada. “A avenida Osvaldo Aranha e a rua Guilherme Fasolo não estão em áreas centrais, então não há impedimento algum”, afirma o procurador Sidgrei Spassini. Nessas duas vias, as restrições seriam menores, apenas em horários considerados de pico, das 6h às 8h30 e entre as 17h30 e 19h30.

Spassini aponta que, mesmo que fossem realizados novos estudos técnicos, eles não teriam caráter decisivo, mas apenas de orientação e sugestão. “Houve uma invasão de competência por parte do Judiciário, ferindo o princípio constitucional da divisão de poderes. O prefeito tem o poder discricionário de agir, desde que não viole nenhuma lei. E não houve qualquer violação nesse caso”, destaca o procurador.

Confusão

Nos primeiros dias de uso da faixa seletiva na Júlio de Castilhos, muitos motoristas ainda se confundiram com o semáforo exclusivo instalado no lado direito da via, destinada ao transporte coletivo. Agentes do Departamento Municipal de Trânsito (DMT) orientaram o fluxo no local. Os veículos que transitam nas outras duas pistas devem continuar seguindo a indicação da antiga sinaleira. “É algo normal, esperávamos que houvesse um pouco de confusão. Por isso, é importante esse período de adaptação”, conclui o secretário de Gestão Integrada e Mobilidade Urbana, Mauro Moro.

A decisão

Trecho da decisão:“Os elementos trazidos aos autos autorizam a concessão da medida liminar para suspensão da execução das obras e procedimentos para a instalação da faixa seletiva para ônibus uma vez que, segundo se depreende, não houve o prévio estudo do impacto viário com tal instalação. (...) Defiro a liminar, para o fim específico de suspender a expansão da faixa exclusiva de ônibus na área central da cidade de Bento Gonçalves até realização de estudo técnico de viabilidade urbana, mantendo-se aquela já efetuada”.

Reportagem: Jornal SerraNossa - Jorge Bronzato Jr.

terça-feira, 18 de março de 2014

Mesmo com decisão do STJ, contribuinte pode pedir à Justiça correção do FGTS

A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de suspender a tramitação de todas as ações judiciais que pedem mudanças na correção do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) não interrompeu a corrida dos trabalhadores aos tribunais.
 
O ministro Benedito Gonçalves, relator da primeira ação sobre a troca da TR (Taxa Referencial) pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) como fator de correção do FGTS a chegar num tribunal superior, determinou que os juízes não emitam mais sentenças sobre a questão, até o julgamento do processo pelo STJ. O objetivo é fazer com que a decisão do tribunal seja seguida por todos os juízes do país.
 
Ainda assim, novas ações estão sendo apresentadas. Todas argumentam que como a TR tem ficado muito baixa, algumas vezes em zero, a correção do FGTS (TR mais 3%) tem sido menor do que a inflação e o dinheiro do trabalhador está encolhendo.
 
O tamanho estimado da perda varia muito, porque como o fundo recebe depósito mensais, cada pedaço do dinheiro tem que ser corrigido por um percentual diferente. Para os saldos que já existiam em 1999, especialistas falam em algo entre 70% e 100%. Os valores depositados a partir desta data, o índice varia mais.
Confira o simulador de perdas elaborado pelo Instituto FGTS Fácil para quem foi admitido a partir de 1999.
 
O prazo de prescrição, ou seja, o tempo que a pessoa tem para reclamar um prejuízo na Justiça varia de acordo com o assunto. No caso do FGTS, por se tratar de direito econômico, este prazo é de 30 anos, ou seja, o trabalhador tem até o ano de 2029 para reclamar as perdas ocorridas em 1999.
 
Processo julgado no STJ não pode ser usado como modelo, diz advogada
No escritório Meira Morais Advogados, que concentra o maior número de ações relativas ao FGTS do país, a abertura de novos processos também está seguindo normalmente. Responsáveis por cerca de 300 ações coletivas de sindicatos, maioria ligados à Força Sindical, os advogados do escritório estimam que o número total de trabalhadores atingidos pelos processos esteja na casa dos dois milhões.
 
— Continuamos apresentando novos processos e fazendo apelações.Também apresentamos um recurso contra a decisão do ministro Benedito. De acordo com artigo 37 do Código de Processo Civil, inciso 543 C, o STJ só pode suspender a tramitação de recursos especiais e decisões dos Tribunais Regionais Federais, mas não paralisar também o andamento na primeira instância - diz a advogada Indira Quaresma, do escritório Meira Morais.
 
Ela também argumenta que o processo que está em análise no STJ, aberto pelo Sindicato dos Petroleiros de Pernambuco e Paraíba (Sindipetro- PE/PB) não pode servir de modelo para todas as outras ações, porque apresenta reivindicações diferentes.
 
‑ A gente só está pedindo mudança na correção a partir de 1999 e aquele processo pede desde 1989. Pode ser pelo INPC, IPCA ou até IGP-M, índice de inflação que quiserem dar eu aceito. Além disso, a ação do Sindipetro foi apresentada em 2011, antes de o Banco Central passar quase um ano mantendo a TR em zero como ocorreu em 2012 — argumenta Quaresma.
 
O STJ não tem data para tomar nova decisão sobre o FGTS. O processo foi enviado O processo ao Ministério Público Federal que vai emitir um parecer sobre o assunto. Depois de receber este texto, o ministro Benedito Gonçalves vai elaborar seu voto para que o assunto seja analisado pelos dez ministros que compõe a 1ª Seção do STJ.
 
* Agência O Globo

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Taxistas antigos não entrarão mais na licitação

Suspensa em novembro de 2013, a licitação para o serviço de táxis em Bento Gonçalves deve ser retomada até abril deste ano, com uma grande mudança no novo edital que será lançado pela prefeitura. A principal alteração é inclusão na disputa apenas das licenças transferidas a partir de 2009, quando foi aprovada uma nova lei para o sistema, e de 18 novas placas. No total, devem ser incluídas no processo cerca de 30 concessões, e não mais todas as 91 existentes na cidade.

A medida era uma reivindicação da categoria, que temia que os motoristas mais antigos que atuam em Bento pudessem perder suas permissões. O primeiro edital previa, como tentativa de valorizar o trabalho dos profissionais já existentes, um sistema de pontuação que privilegiava critérios como tempo de serviço, cursos de qualificação e, inclusive, o pagamento de um valor de outorga que poderia variar de R$ 5 mil a R$ 45 mil, entre outros quesitos.

De acordo com o procurador-geral do município, Sidgrei Machado Spassini, ainda não está definido se o novo procedimento adotará o mesmo modelo. “Provavelmente, a tabela de pontuação seja mantida, mas ainda estamos analisando. A outorga também deve permanecer, mas talvez seja estabelecido um prazo para pagamento maior do que antes, que era de 48 horas”, afirma.

Taxistas antigos não entrarão mais na licitaçãoAntes de lançar o processo licitatório, a administração deverá encaminhar à Câmara de Vereadores, em cerca de 15 dias, modificações na legislação para reduzir de 1.200 para 1.000 o índice de habitantes por táxi. Outras demandas da classe, como a volta da bandeira dois no período da noite e nos finais de semana e a presença de dois carros adaptados para portadores de necessidades especiais, também devem ser contempladas.

Spassini destaca ainda que a entrada em operação das vagas licitadas pode não ocorrer em um único momento. “Podemos definir, por exemplo, que a metade já inicie a trabalhar após a licitação e as demais comecem a ser chamadas depois de um certo tempo”, conclui. Nesse intervalo, também deve ser promovida uma reorganização dos 34 pontos e a implantação de outros novos, inclusive em bairros afastados do Centro.

Decisão judicial

A lei municipal de 2009 prevê que as concessões podem derivar de licitação – nunca realizada no município – ou de transferência. Esse que foi o principal alvo de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) e motivou uma decisão judicial para a realização de processo licitatório, no final de 2012. Em setembro de 2013, a prefeitura chegou a abrir licitação para todas as licenças, mas o edital foi suspenso após pouco mais de um mês. Agora, o novo edital contemplará apenas as placas transferidas depois da contestada lei de 2009.