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sábado, 11 de janeiro de 2014

Ariel Sharon morre após oito anos em coma

TEL AVIV - O ex-primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, morreu neste sábado após oito anos em coma em decorrência de complicações de um grave derrame sofrido no dia 4 de janeiro de 2006. Sharon, de 85 anos, estava internado no hospital Tel Hashomer, próximo de Tel Aviv. Segundo a mídia israelense, sua saúde havia se deteriorado nos últimos dias após problemas renais.


Ariel Sharon, no Muro das Lamentações, em sua primeira aparição pública após vencer as eleições contra Ehud Barak, em 2001
Foto: AFP-7-2-2001Em coma desde o derrame, Sharon foi submetido a várias cirurgias, sendo a última em setembro para corrigir um problema no sistema intravenoso de alimentação. No início do ano passado, no entanto, um exame revelou que seu cérebro ainda registrava atividade significativa.

Sua internação, em 2006, forçou a transferência de poder para seu então vice, Ehud Olmert. Após mais de 50 anos no cenário político e militar israelense, Sharon conquistou seu lugar nas páginas da História como símbolo da dureza. De jovem combatente dos grupos clandestinos judaicos que atuavam na antiga Palestina antes da criação do Estado de Israel, Sharon fez carreira no Exército, entrou na política e enlouqueceu seus adversários. Incentivou a colonização de terras palestinas, retirou assentamentos anos depois, enfrentou o líder palestino Yasser Arafat, ganhou destaque internacional e, nos anos antes do coma parecia tentar desvincular-se da imagem de “o trator” que lhe acompanhou durante toda a vida pública.

Nascido em 1928 na pequena comunidade de Malal, no norte de Israel, começou a carreira militar aos 18 anos no grupo clandestino judeu Haganá, que lutava pelo fim da ocupação britânica da Palestina. Durante a guerra da Independência, em 1949, ocupou um importante cargo de comando e foi ferido numa batalha. Desde então, Sharon passou pelos mais altos postos do Exército, e ganhou destaque como chefe do Comando Sul, responsável pela liberação do Canal de Suez na Guerra do Yom Kippur, quando tropas sírias, egípcias e jordanianas atacaram o Israel em 1973 no feriado do Dia do Perdão.

Logo após o fim do conflito, a eficiência como militar colocou-o rapidamente na liderança do partido de direita Likud. Considerado excelente estrategista, foi eleito deputado pela primeira vez em 1973 e os discursos marcados pelo nacionalismo e pelo repúdio às tentativas de negociação com os palestinos deram a Sharon a confiança da direita. Ele ocupou diversas pastas ministeriais e foi o grande idealizador e incentivador das colônias judaicas na Faixa de Gaza. Em 1982, então ministro da Defesa, viu-se envolvido pela primeira vez num escândalo internacional. Tropas israelenses invadiram o Líbano, e o Exército foi acusado de incitar milícias cristãs a destruir os campos de refugiados palestinos, promovendo um massacre.

Odiado pelos árabes e tradicionalmente visto com desprezo pela esquerda israelense, a altivez de Sharon aparecia em momentos de tensão e de decisões importantes. Sua primeira esposa, Margalit, morreu num acidente de carro em 1962. Cinco anos após o trauma, Sharon perdeu o filho Gur, de apenas 11 anos. Casou-se pela segunda vez, com Lili, irmã da falecida esposa e grande amor de sua vida - ela morreu em 2000. Pai de dois filhos, Gilad e Omri, nos últimos anos antes do derrame Sharon vivia sozinho em sua fazenda, no sul de Israel. Após tantas perdas pessoais, no dia a dia, ele fazia questão de manter um ar tranquilo. Dono de um refinado humor, o premier gostava de dar risadas e mantinha um estilo bonachão que sempre foi motivo de piada entre os repórteres que circulam pelo Parlamento.

Inimigo de Arafat

Sharon foi um dos homens mais protegidos do mundo. Fontes próximas a ele contam que o forte esquema de segurança que o acompanhava 24 horas por dia deixava-o muitas vezes chateado. Os jornalistas Gadi Blum e Nir Chefetz, autores da biografia “O Pastor” contam que certa vez, voltando do exterior, o premier teve vontade de comer falafel, típico sanduíche feito com grão de bico do Oriente Médio. Conhecido glutão, no caminho do aeroporto para Jerusalém, Sharon pediu aos assessores que parassem num quiosque para saborear o quitute. A resposta negativa não deixou o premier satisfeito. E ele se surpreendeu quando, de repente, o chefe de sua segurança pessoal concordou em parar no caminho para que ele pudesse comer o sanduíche. Ele nunca soube que todas as pessoas presentes no estabelecimento, desde os “clientes” ao “dono” do quiosque, eram agentes do serviço de segurança à paisana.

Símbolo de contradição, nem mesmo a simplicidade e a calma tiravam dele o olhar penetrante e desafiador. Demonstrava não ter medo de nada e fazia o que queria, quando queria. Numa de suas atitudes mais ousadas, em 2000, o então líder da oposição ao governo do trabalhista Ehud Barak, subiu ao Monte do Templo - Esplanada das Mesquitas, para muçulmanos - na Cidade Velha de Jerusalém para provocar os árabes e provar a soberania israelense sobre a disputada cidade santa. Muitos apontam a visita como o pontapé inicial da segunda intifada, a revolta palestina contra a ocupação israelense. Durante um infinito círculo de atentados em Israel e ações militares nos territórios palestinos, Sharon travou uma batalha pessoal contra Arafat, um de seus grandes inimigos. Negou-se a negociar ou mesmo dialogar e confinou o líder palestino em seu escritório na Muqata, em Ramallah, na Cisjordânia, durante quase dois anos.

Mas enquanto seu prestígio e imagem de homem forte cresciam, dentro do homem Sharon, algo parecia mudar. De líder nacionalista e expansionista, decidiu que era chegada a hora de desmantelar os assentamentos judaicos na Faixa de Gaza, para espanto de milhares de simpatizantes da direita. Mais uma vez, “o trator” atropelou a oposição e levou adiante o plano de desconexão unilateral que removeu pelo menos oito mil colonos de Gaza em agosto de 2005.

Quando enfrentou a rebeldia dos radicais do Likud e se viu sem apoio dentro do partido que comandou com mão de ferro, Sharon não hesitou e abandonou a legenda. Lançou-se, então, numa nova empreitada: aliou-se a velhos rivais moderados, como o presidente Shimon peres, e fundou o Kadima, baseado numa plataforma de centro. Dois meses após o lançamento, o partido já apontava como líder absoluto em pesquisas de opinião entre os eleitores israelenses.

Analistas tentam compreender até hoje o que se passava pela cabeça de Ariel Sharon. Talvez a imagem desgastada por anos de conflitos e divergências internacionais tenha alguma influência sobre a mudança de plataforma político-ideológica. Em Israel, alguns afirmam que a retirada de Gaza e a guinada em direção ao centro-esquerda foram uma tentativa desesperada de entrar na História como um homem de paz. Outros, que foi uma artimanha para desviar a atenção de escândalos de corrupção envolvendo sua família.

Nem mesmo a idade avançada impedia Sharon de manter o estilo centralizador. Sua rotina de trabalho que chegava a durar 20 horas por dia. Poucos meses antes de adoecer, numa de suas últimas entrevistas a um popular talk show, revelou que nunca conseguia dormir durante o dia e que, para relaxar, gostava de passear no campo de sua fazenda e assistir a filmes românticos nos fins de semana. Considerado uma espécie de mito por israelenses, sabe-se apenas que Sharon deixou a vida e muitas dúvidas sobre sua verdadeira identidade.

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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Brasil é bem avaliado por 61% dos americanos


O Brasil é o país emergente com visão mais positiva pelos americanos, segundo pesquisa feita pelo instituto Pew, um dos maiores centros de estudos dos EUA.

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Dos americanos pesquisados, 61% disseram ter opinião “favorável” sobre o país, contra apenas 15% de “desfavorável”. O Brasil empatou com Israel no quesito “a favor”, mas Israel tem visão negativa para 26% dos ouvidos, 11 pontos acima.

Mas o número de americanos sem opinião formada sobre o Brasil é o maior entre todos os países pesquisados: 24% dos consultados não opinaram sobre o país.

A visão negativa é majoritária para outros países emergentes, como China (55%), Rússia (54%) e até o vizinho México (52%).

Os resultados são de uma pesquisa chamada “O Lugar da América no Mundo”, feita a cada quatro anos pelo Pew em conjunto com o Council on Foreign Relations, outro centro de estudos.

Realizada entre outubro e novembro, ela também revelou a queda pelo desejo de intervencionismo (ou de maior presença americana) no resto do mundo: 52% dos americanos dizem que o país “deveria cuidar de sua própria vida e deixar outros cuidarem de seus problemas por si”, o maior número desde o início da pesquisa, em 1964.

“As opiniões dos americanos também mudam muito, apesar de o desinteresse em temas internacionais estar em alta”, diz Bruce Strokes, diretor do Projeto de Atitudes Globais do Pew.

“Em 2003, na discordância sobre a guerra do Iraque, só 29% tinham imagem positiva da França, hoje é de 59%. A visão desfavorável da China em 2006 era de 29%, hoje saltou para 55%”.

Apesar das relações desgastadas entre Brasília e Washington pelas denúncias de espionagem americana, as opiniões das sociedades são reciprocamente positivas.

Uma pesquisa anterior do instituto descobriu que apenas 7% dos brasileiros consideram os EUA um país inimigo, número bem inferior aos argentinos (23%), mexicanos (18%) e turcos (49%).

Dos brasileiros, 73% dos entrevistados têm imagem positiva dos EUA, um índice superior ao de aliados históricos dos americanos, como os japoneses (69%) e mexicanos (66%).

Fonte: Folha UOL

domingo, 5 de janeiro de 2014

Papa Francisco anuncia que vai visitar a Terra Santa em maio

O Papa Francisco anunciou neste domingo (5) que vai visitar a Terra Santa em maio. Ele deve passar por locais por Jordânia, Israel e por terristórios palestinos. Será sua primeira visita à área desde que assumiu o pontificado, em março de 2013.

Papa Francisco na Basílica de São Pedro nesta terça-feira (31) (Foto: Giampiero Sposito/ Reuters) A viagem, marcada para 24, 25 e 26 de maio, tem no roteiro Amã, Belém e Jerusalém e marca o 50º aniversário de uma excursão histórica feita em 1964 pelo Papa Paulo VI. Foi a primeira de um papa na era moderna. João Paulo II passou por lá em 2000, e Bento XVI, antecessor de Francisco, em 2009.

O anúncio foi feito pelo Papa Francisco durante a tradicional oração do Ângelus dominical, na praça de São Pedro, no Vaticano. "No clima de alegria deste período de Natal, eu gostaria de anunciar que, de 24 a 26 de maio do próximo, farei uma peregrinação à Terra Santa"

Ele falou ainda que pretende fazer uma celebração na Igreja do Santo Sepulcro, onde segundo a tradição cristã está o túmulo de Jesus Cristo em Jerusalém. "Nós iremos celebrar um encontro ecumênico com todos os representantes das Igrejas cristãs de Jerusalém e com o Patriarca Bartolomeu de Constantinopla."

Durante uma reunião com o pontífice em abril, o presidente israelense, Shimon Peres, convidou o Papa Francisco para visitar o país. "Eu estou esperando você em Jerusalém, e não apenas eu, mas todo o país de Israel", disse Peres ao papa na presença de jornalistas, após 30 minutos de conversas particulares no Palácio Apostólico do Vaticano.

No mês anterior, Francisco havia feito um apelo pela paz entre israelenses e palestinos em seu discurso de Páscoa.

Em outubro, foi a vez do presidente palestino, Mahmud Abbas, convidar o Papa Francisco a visitar a Terra Santa. O pontífice, então, presenteou o presidente da Autoridade Palestina com uma caneta. "Uma caneta, porque com certeza terá que assinar muitas coisas", afirmou na ocasião. "Com esta caneta, espero assinar o acordo de paz com Israel", respondeu Abbas.

Fonte: g1.globo.com

domingo, 22 de setembro de 2013

Presidente iraniano adverte que Ocidente lamentará se atacar a Síria

Hassan Rohani pediu diálogo para colocar fim à guerra. Ele pediu ainda que Ocidente reconheça direito do Irã de enriquecer urânio.

O presidente iraniano, Hassan Rohani, advertiu neste domingo (22) que o Ocidente lamentará qualquer intervenção militar na Síria, e convocou um diálogo para colocar fim à guerra neste país aliado.

Hassan Rohani pediu diálogo para colocar fim à guerra (Foto: Reuters/Fars News/Majid Hagdost)
'Não busquem uma nova guerra na região porque irão lamentar', disse Rohani em um discurso pronunciado em Teerã por ocasião do desfile anual das forças armadas.

"A guerra não pode ser extinta com a guerra. Deve acabar por meios políticos e pelo diálogo", acrescentou.

Rohani convocou os rebeldes que lutam para derrubar o regime de Damasco a "se sentarem à mesa de negociações" com o governo do presidente Bashar al-Assad.

O presidente também pediu que o Ocidente reconheça o direito do Irã de enriquecer urânio em seu território, uma questão que preocupa os países ocidentais e Israel.

O Ocidente tem que aceitar 'todos os direitos da nação iraniana, especialmente os direitos nucleares e o de enriquecer urânio em território iraniano no âmbito das regras internacionais', afirmou.

Rohani também reagiu às declarações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que pediu na quinta-feira que o mundo não se deixe enganar pelas palavras apaziguadoras do líder iraniano sobre a questão nuclear.

"O Irã não constitui uma ameaça para seus vizinhos e para os países da região (...) O regime que é uma verdadeira ameaça é Israel, que pisoteia todas as regulamentações internacionais e aumenta suas reservas de armas nucleares e químicas para ameaçar os demais", declarou Rohani.