Com parcerias, alviazul incorporou ao elenco jovens promessas e garantiu desafogo financeiro
O Esportivo versão 2014 modernizou-se. Não estruturalmente, nem
visualmente, mas na forma de executar o futebol. Assim como os demais
clubes do interior, o alviazul historicamente tinha dificuldades em
montar um time competente o bastante para manter-se na primeira divisão
com as receitas que tinha em mãos. Por consequência, a folha extrapolava
e os atrasos salariais eram quase uma regra. Neste ano, porém,
compromissou-se em quebrar esse paradigma. Para tanto, um dos pilares
são as parcerias com clubes das séries A e B, que asseguram jovens
promessas a custo zero e um orçamento significativamente mais brando.
Fluminense, Goiás e América Mineiro cederam jogadores ao alviazul.
Trata-se de uma parceria, inicialmente, bastante atrativa para ambas as
partes. Enquanto o Esportivo garante um time com um terço dos jogadores
lapidados na base de grandes clubes e assegura uma economia de 50% a 60%
em relação ao orçamento de 2013, os parceiros expõem, em um dos
principais estaduais do Brasil, atletas que não seriam aproveitados em
suas equipes principais. Com isso, espera que o jogador volte para casa
mais maduro e experimentado, além de abrir a possibilidade de que,
jogando, ele seja valorizado.
Uma das promessas é o jovem meia-atacante Clayton Baldissera (foto),
22 anos, do Goiás. Baixinho e franzino, o jogador utiliza seu porte
físico para se desvencilhar rápido dos marcadores e já desponta como
candidato a craque do alviazul no Gauchão. Nos três jogos em que atuou,
cavou dois pênaltis e marcou um gol, sendo considerado o melhor jogador
do Esportivo nas três partidas. Outra promessa veio do Fluminense:
Cassio Ferreira, 21 anos, com características semelhantes às de Clayton,
rápido e agressivo diante da defesa adversária.
Trata-se de uma estratégia sem precedentes no Esportivo,
completamente oposta ao convencional, quando acreditava-se que um elenco
recheado de jogadores rodados no futebol gaúcho fosse a melhor receita.
Historicamente, a formação de um time local não comprometeu, mas também
esteve longe de ascender o clube a um novo patamar. Agora, com a ajuda
de parceiros, há boas perspectivas e entusiasmo, por parte da direção,
de que será possível avançar um degrau. Sem contar a despreocupação com
os salários dos jogadores, já praticamente viabilizados até o final do
campeonato. “Não é uma garantia de salários rigorosamente em dia, mas eu
diria que é uma tendência mediante o equilíbrio de recursos e
despesas”, conta o executivo de futebol, Bruno Noventa, responsável por
buscar as parcerias e reorganizar as finanças do clube.
Outra tendência é que a torcida do alviazul seja maior. Além de
parceiros, o Esportivo ganhou novos simpatizantes, já que cariocas,
goianos e mineiros também estarão observando e torcendo por seus
jogadores vestindo a camisa nonagenária do time de Bento. Na teoria,
regozijo não falta. Que os resultados do campo assegurem um
relacionamento cada vez mais estreito entre os novos parceiros.
Entenda o Gauchão 2014
Diferentemente do sistema adotado nos últimos anos, o Gauchão 2014 não terá finais de turnos. Pelo novo formato, os
16 participantes estarão divididos em duas chaves. Todos jogarão contra
todos, primeiro com cruzamento de grupos e depois contra os adversários
da mesma chave. Os quatro primeiros de cada grupo avançarão às quartas
de final, que será disputada em um “mata” de jogo único com mando do
time de melhor campanha, assim como a semifinal. A decisão, por sua vez,
terá jogos de ida e volta.
O Esportivo compõe o Grupo 1, ao lado do Inter, São
José, Veranópolis, Juventude, Aimoré e Brasil-Pel. O Grupo 2 é formado
por Grêmio, Caxias, São Paulo-RG, Passo Fundo, Novo
Hamburgo, Cruzeiro, Pelotas e São Luiz.
Os três primeiros do campeonato asseguram vaga à Copa do Brasil 2015.
O melhor colocado, com exceção das duplas Gre-Nal e Ca-Ju, garante
classificação ao Campeonato Brasileiro da Série D 2014. Os três últimos,
por outro lado, estarão rebaixados à Divisão de Acesso 2015.
Fonte: Jornal SerraNossa - Reportagem: João Paulo Mileski
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