O apagão da terça-feira, 4, que deixou a região Sul, Sudeste e
Centro-Oeste do Brasil sem energia elétrica, causou transtornos e afetou
cerca de seis milhões de pessoas. O fluxo de energia foi interrompido a
partir 14h e reestabelecido por volta das 16h. O corte de energia foi
determinado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) devido a
problemas de abastecimento na Região Norte. A estimativa da ONS é de que
pelo menos 11 estados tiveram o fornecimento de eletricidade
comprometido. A medida cautelosa foi tomada para evitar que outras
regiões também fossem afetadas. De acordo com Ivo Cansan, presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Estado (Movergs), a medida do governo causou inúmeros transtornos às indústrias de Bento Gonçalves e região. A estimativa é de que R$ 7 milhões foram deixados de produzir na terça. O prejuízo, calculado por Cansan, gira em torno de R$ 1 milhão. "O que aconteceu foi lastimável. Fica mais evidente de que o Brasil não consegue se preparar para fornecer um serviço de forma eficiente", explica.
Segundo Cansan, as indústrias precisaram liberar seus funcionários devido à falta de luz. Sem produção, automaticamente as empresas não geram lucro. "O processo produtivo foi rompido inviabilizando o trabalho. A produção parada não é lucro pra ninguém. O governo investe em setores demais e em outros menos e quem acaba pagando essa conta é o setor produtivo", destaca.
Para calcular os prejuízos, Cansan avaliou a média de lucro do setor moveleiro durante o ano, levando em conta os dias trabalhados, inflação e impostos. Apesar do segmento não estar em ritmo acelerado, o déficit deverá ser recuperado ao longo do ano. "Não temos como avaliar de que forma esse dia perdido irá influenciar futuramente, mas temos certeza de que isso aumenta ainda mais a insegurança do setor", afirma.
De acordo com o presidente, o ponto que mais causou revolta foi o fato de que, após o corte de luz, ninguém sabia esclarecer o motivo do apagão e nem estimar o horário do retorno. "Ninguém sabia que essa medida extrema iria acontecer, não fomos informados em nenhum momento. Quando existe previsão de falta de água e as pessoas são informadas, por exemplo, elas conseguem armazenar quantidades de água, conseguem se precaver. Nesse caso todos foram pegos de surpresa. É um descaso", avalia.
Conforme Cansan, problemas como esse fazem com que o setor moveleiro se torne menos competitivo, perdendo espaço no mercado interno quanto externo. "Na verdade vemos que o governo está no seu limite. A indústria já está ciente de possíveis transtornos que essas falhas podem trazer. Além das dificuldades de logística e transporte precisamos enfrentar a falta de recursos do país".
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